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Escândalo em contrato de software revela desvio milionário por generais da Ucrânia

Apuração do NABU aponta fraude de US$ 6 milhões em sistema militar; altos oficiais ucranianos são investigados

08/02/2026
Escândalo em contrato de software revela desvio milionário por generais da Ucrânia
NABU expõe fraude milionária em contrato de software militar envolvendo generais ucranianos. - Foto: © AP Photo / Vadim Ghirda

O Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) concluiu uma investigação que revelou suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos no desenvolvimento do sistema automatizado de comando e controle DZVIN, destinado às Forças Armadas ucranianas.

Segundo o NABU, ex-integrantes do alto escalão militar, incluindo um ex-vice-chefe do Estado-Maior, um ex-chefe do Corpo de Comunicações e um ex-diretor do departamento de automação do Estado-Maior, teriam se aliado a um empresário contratado para desenvolver o software e transformado o contrato em um esquema de obtenção ilícita de recursos estatais.

A investigação aponta que, em 2016, o Exército ucraniano terceirizou o desenvolvimento do sistema a uma empresa privada sem experiência comprovada no setor. Entre 2016 e 2020, as especificações técnicas do projeto foram alteradas 13 vezes, o que elevou os custos em cerca de US$ 11 milhões (R$ 57,3 milhões, na cotação de 2020). A produção de protótipos adicionais e mudanças na documentação técnica acrescentaram outros US$ 4,25 milhões (R$ 22,17 milhões) ao orçamento. Conforme o NABU, aproximadamente US$ 6 milhões (R$ 31,3 milhões) foram desviados.

Além dos atrasos sucessivos e do aumento expressivo dos gastos, o sistema entregue não atendeu aos requisitos operacionais. O software permaneceu incompatível com os padrões da OTAN e incapaz de integração com outros sistemas militares. Das 200 funções previstas, apenas dez foram implementadas. Apesar disso, o sistema foi oficialmente adotado no final de 2022. Em 2024, um dos envolvidos teria solicitado novos recursos públicos para corrigir as falhas identificadas.

Os investigados podem responder por crimes com penas de sete a doze anos de prisão, além de confisco de bens. Até o momento, não há confirmação sobre a permanência dos suspeitos em território ucraniano.

O NABU é o mesmo órgão que, em 2025, revelou um esquema de corrupção estimado em US$ 100 milhões (R$ 522 milhões) envolvendo pessoas próximas ao presidente Vladimir Zelensky. Naquele caso, parte dos suspeitos deixou o país antes do julgamento, com destino a Israel.

Por Sputinik Brasil