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Planejar o futuro começa antes da gestação: como medicina fetal e genética entram nas metas de ano novo de muitos casais

Fernanda Quinta 26/01/2026
Planejar o futuro começa antes da gestação: como medicina fetal e genética entram nas metas de ano novo de muitos casais

O início do ano costuma ser marcado por listas de resoluções: cuidar melhor da saúde, reorganizar prioridades e planejar o futuro. Entre essas metas, um movimento vem ganhando espaço entre casais que desejam ter filhos: incluir o planejamento familiar como parte do projeto de vida — antes mesmo da gestação.

Esse olhar antecipado ganha relevância diante das mudanças no perfil reprodutivo da população, como o adiamento da maternidade e da paternidade, o aumento de gestações após os 35 anos e a busca por decisões mais informadas ao longo da jornada reprodutiva.

“A medicina fetal permite acompanhar a saúde do bebê desde as fases iniciais, mas o cuidado começa antes da gravidez. Quando o casal chega já orientado, com exames e informações prévias, conseguimos conduzir a gestação de forma mais segura e personalizada”, explica Heron Werner, especialista em Medicina Fetal do Alta Diagnósticos e da CDPI, marcas da Dasa, líder de medicina diagnóstica no Brasil, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Dentro desse planejamento, médicos recomendam uma avaliação completa da saúde reprodutiva, que pode incluir check-up geral, exames hormonais, testes laboratoriais, avaliação da fertilidade feminina — como a histerossalpingografia, exame que analisa as trompas uterinas — além de testes genéticos pré-concepcionais, como a triagem de portadores e o cariótipo.

A atenção a esses exames se torna ainda mais relevante diante dos dados globais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade afeta cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva em todo o mundo. As causas se distribuem de forma equilibrada: aproximadamente 40% têm origem feminina40% masculina e 20% decorrem da combinação de fatores dos dois parceiros1.

Para Gustavo Guida, geneticista do Sergio Franco e Bronstein, a genética tem papel central nesse cenário. “Muitas alterações associadas à infertilidade não apresentam sintomas. A investigação genética permite identificar fatores silenciosos que impactam diretamente as chances de gravidez e orienta o melhor caminho clínico desde o início.”

Entre os exames já disponíveis no Brasil está o Painel de Infertilidade, teste genético que analisa alterações associadas à infertilidade tanto em homens quanto em mulheres. O exame, dividido em versões masculina e feminina, avalia mais de 400 genes relacionados a condições como falência ovariana precoce, perda gestacional recorrente, azoospermia e anomalias testiculares.

 A partir da coleta de uma amostra de sangue, é possível identificar variantes genéticas que auxiliam no diagnóstico e contribuem para a definição de condutas clínicas mais assertivas para o casal.

Segundo Natália Gonçalves, superintendente de Pesquisa & Desenvolvimento e head de Reprodução Humana da Dasa Genômica, a análise genética tem transformado a forma como a infertilidade é investigada. “Em muitos casos, especialmente quando não há uma causa aparente ou quando tratamentos anteriores não tiveram sucesso, a genética traz respostas importantes. Ela reduz incertezas e direciona decisões médicas com mais precisão.”

Além do Painel de Infertilidade, também fazem parte desse cuidado exames como o PregnancyLoss, voltado à investigação genética de abortos espontâneos recorrentes, e o painel genético PCGT (Painel de portador), utilizado para avaliar o risco associado à condições genéticas recessivas do casal em processos de fertilização in vitro ou planejamento familiar. Testes de portador, como o PCGT, já são indicados por diversas sociedades de ginecologia, genética médica e reprodução ao redor do mundo e, em alguns países, foram incorporados como medida de cuidado populacional, ampliando a prevenção e o aconselhamento genético antes da gestação2.

“A proposta é oferecer um cuidado cada vez mais preventivo, preditivo e personalizado. Quando o casal entende seu perfil genético antes da gestação, o planejamento se torna mais consciente, com menos desgaste emocional e mais segurança ao longo do processo”, completa Natália.

Para os especialistas, pensar na saúde reprodutiva como parte das metas de início de ano representa uma mudança cultural. Mais do que antecipar problemas, trata-se de ampliar o cuidado e transformar o desejo de ter filhos em um projeto estruturado, apoiado pela ciência e pela informação.