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Delegada aprovada em concurso da Polícia Civil de SP é presa por suspeita de ligação com o PCC

Layla Lima Ayub, ex-PM do Espírito Santo, foi empossada em dezembro e está sob investigação por possível elo com o crime organizado.

16/01/2026
Delegada aprovada em concurso da Polícia Civil de SP é presa por suspeita de ligação com o PCC
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Layla Lima Ayub, ex-policial militar do Espírito Santo e recém-nomeada delegada da Polícia Civil de São Paulo, foi presa nesta sexta-feira, 16, na zona oeste da capital paulista, sob suspeita de envolvimento com o crime organizado. A reportagem segue tentando contato com a defesa da delegada.

Layla tomou posse no cargo no dia 19 de dezembro, em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A principal dúvida que surge é: como ela foi aprovada no concurso da Polícia Civil de São Paulo se já era suspeita de ligação com o PCC?

De acordo com apuração do Estadão, a etapa de avaliação social — responsável pela análise da vida pregressa dos candidatos — ocorre antes da prova oral e é conduzida pela inteligência policial do Estado de origem do candidato. No caso de Layla, não havia qualquer registro que a desabonasse. A reportagem também tenta contato com a Polícia Civil do Espírito Santo.

Após a aprovação e posse, o candidato passa por um período de estágio probatório de três anos, durante o qual pode ser investigado pela Polícia Civil.

A corregedoria não revelou a origem da investigação, mas informou que, além de um relacionamento amoroso com um integrante da facção, foi descoberta a atuação de Layla como advogada de outro membro do PCC no Pará, apenas nove dias após sua posse.

Em coletiva de imprensa, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Oswaldo Nico Gonçalves, negou falhas no processo seletivo. "Não falhou. Não tinha nenhum apontamento até então. (...) Eu não queria estar aqui neste momento, queria contar com mais uma aluna na academia, a gente está precisando de delegado, eu queria contar com isso. Mas a pessoa está em estágio probatório por três anos. Por três anos pode ser investigado", afirmou.

A Justiça determinou a prisão temporária de Layla e investiga o grau de envolvimento da delegada com a facção criminosa. Na decisão, o juiz responsável destacou a suspeita de que ela teria ingressado na Polícia Civil a mando do PCC.

"De fato, se comprovado que o PCC arregimentou a investigada para passar em um concurso público de delegada de Polícia, sobretudo no Estado mais populoso e com o maior quadro de policiais do País, pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que, se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso", afirmou o magistrado.

O corregedor-geral da Polícia Civil, João Batista Palma Beolchi, declarou em coletiva que a investigação será aprofundada para determinar se Layla realmente prestou concurso a mando do PCC. "Realmente se trata de uma investigação. Ela que vai nos mostrar a real amplitude do nível de comprometimento dessa delegada. A investigação procede justamente para investigar essa dúvida. Mas há essa possibilidade", disse.