Geral
Antes do desenvolvimento da agricultura, há 7 mil anos, população do sul da Arábia caçava tubarões (IMAGENS)
Após escavar um túmulo megalítico em Omã, arqueólogos constataram que, há sete mil anos, populações neolíticas do sul da Arábia, antes mesmo do surgimento da agricultura, caçavam tubarões de forma sistemática e os consumiam como parte central de sua dieta, informa o portal Arkeonews.
Segundo a publicação, as escavações em Wadi Nafun, numa região árida do atual Omã, revelaram como as primeiras sociedades humanas se adaptaram às duras condições ambientais. Diante da impossibilidade de cultivar plantas em um clima extremamente quente e seco, esses povos antigos recorreram à caça de tubarões.

Durante as escavações de um complexo funerário monumental datado do início do período neolítico, uma equipe internacional de arqueólogos liderada pelo Instituto Arqueológico da Academia Tcheca de Ciências encontrou um grande número de dentes de tubarão-tigre, pingentes feitos com dentes de tubarão, ferrões de arraia e ferramentas relacionadas à pesca.
Essa descoberta indica que as pessoas que viveram na região há sete mil anos caçavam tubarões ativamente e os consumiam. O achado é corroborado por análises isotópicas realizadas em ossos de indivíduos enterrados no túmulo.

Em laboratórios especializados do Instituto Max Planck de Química, em Mainz, cientistas usaram métodos avançados para analisar isótopos estáveis de carbono, oxigênio, estrôncio e nitrogênio, reconstruindo a dieta dessas populações com precisão sem precedentes.
"A análise isotópica revelou uma contribuição excepcionalmente alta de recursos marinhos na alimentação, apesar da localização do sítio distante da costa. Em particular, o aumento dos valores de nitrogênio indicou o consumo de proteínas provenientes de animais do topo da cadeia alimentar marinha", afirma o texto.
Os cientistas também examinaram dentes humanos encontrados no túmulo. A análise microscópica do tártaro revelou desgaste característico e diversos tipos de danos na superfície dental, sugerindo que esses povos usavam os dentes para rasgar fibras grossas, couros de animais ou até partes de equipamentos de pesca.

Além disso, a análise dos isótopos de estrôncio e oxigênio nos ossos humanos mostrou que a população da região era heterogênea. Alguns indivíduos passaram a infância não em Wadi Nafun, mas a cerca de 50 quilômetros de distância.
Esse dado sugere que as comunidades neolíticas mantinham rotas sazonais ou redes de intercâmbio que conectavam o interior do deserto à costa do mar da Arábia, permitindo-lhes explorar eficazmente diferentes nichos ecológicos.
A capacidade desses grupos humanos do Neolítico de caçar grandes predadores marinhos demonstra conhecimento ecológico avançado, além de competências tecnológicas e coordenação social notáveis.
Mais lidas
-
1ALERTA NA ORLA | MACEIÓ
Alerta vermelho em Maceió: engenheiro diz que Ponta Verde pode estar afundando; vídeo
-
2DIREITOS TRABALHISTAS
Quando é o quinto dia útil de janeiro de 2026? Veja as datas de pagamento
-
3MUDANÇA TRIBUTÁRIA
Emissão de NFS-e e ISSQN será feita exclusivamente pelo site do Governo Federal a partir de 2026
-
4COPA SÃO PAULO DE FUTEBOL JÚNIOR
Palmeiras estreia com vitória polêmica sobre Monte Roraima na Copinha; Coritiba goleia por 9 a 0
-
5JUSTIÇA
Polícia do Paraguai entrega Silvinei Vasques à Polícia Federal