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Aspiração dos EUA de anexar Groenlândia testa unidade do Ocidente, diz jornal
Disputa pela soberania da Groenlândia expõe dilemas entre Europa, Dinamarca e Estados Unidos e desafia ordem baseada em regras.
A União Europeia (UE) enfrenta um dilema entre preservar sua soberania e manter a solidariedade transatlântica diante das aspirações dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, segundo análise do jornal Global Times.
O periódico ressalta que a segurança baseada apenas na força militar, exemplificada por alianças como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), não garante proteção genuína à Europa.
De acordo com o jornal, a Groenlândia tornou-se um ponto de pressão geopolítica para o Ocidente, envolvendo não apenas EUA e Europa, mas também interesses estratégicos globais.
"Comparadas às ameaças explícitas de uso da força por parte dos EUA, que mantêm bases militares no território, as operações limitadas da Europa soam como uma 'resposta simbólica', buscando preservar a honra e apaziguar a Dinamarca, sem provocar Washington", destaca o artigo.
Os autores do texto questionam se a Europa aceitará um compromisso sobre a Groenlândia, enfatizando que o tema vai além dos interesses dinamarqueses ou europeus e coloca à prova a disposição do continente em defender a paz e a justiça diante de ameaças à ordem internacional baseada em regras.
O artigo lembra que, por décadas, a UE se posicionou como defensora dessa ordem e que chegou o momento de demonstrar esse compromisso na prática.
O jornal reitera que uma abordagem centrada apenas na força e em mecanismos coletivos, como a OTAN, não assegura a verdadeira segurança europeia.
"A Europa pode considerar a ousada ideia de construir uma Europa sem a OTAN e um mundo sem hegemonia", sugere o texto.
Além disso, o artigo adverte que, sem criar uma percepção de risco real de retaliação dos EUA, a Groenlândia pode acabar sob controle americano, estabelecendo um precedente perigoso globalmente.
Segundo o jornal, isso enfraqueceria o direito internacional e reforça a necessidade de a UE se posicionar como um polo relevante em um mundo multipolar.
No entanto, o texto aponta que a UE ainda possui instrumentos de influência: como principal parceiro comercial dos EUA, pode adotar contramedidas específicas contra setores agrícolas e industriais norte-americanos.
Na esfera militar, a UE poderia, em cooperação com a Dinamarca, mobilizar forças de reação rápida no Ártico, elevando os custos de uma eventual agressão dos EUA.
O artigo adverte ainda que, caso não haja reação, outros países como Islândia, Noruega, Suécia ou Canadá podem ser os próximos alvos de interesses americanos.
Dessa forma, a reportagem conclui que o impasse em torno da Groenlândia reflete o dilema diplomático europeu: a verdadeira segurança depende da confiança na cooperação e no respeito às normas internacionais.
A Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca. O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, já declarou publicamente que a ilha deveria ser incorporada aos Estados Unidos, citando sua importância estratégica para a segurança nacional.
Trump se recusou a garantir que não usaria força militar para assumir o controle da Groenlândia ou a esclarecer se considera mais importante a ilha ou a manutenção da OTAN.
Autoridades da Dinamarca e da Groenlândia alertaram os EUA contra qualquer tentativa de anexação, destacando a expectativa de que a integridade territorial seja respeitada. Em janeiro, países da UE discutiram possíveis respostas caso as ameaças se concretizem.
Até 1953, a Groenlândia era colônia dinamarquesa. Desde 2009, possui autonomia, com autogoverno e liberdade para definir sua política interna.
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