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Presidente interina da Venezuela propõe reformas no setor petrolífero para atrair investimentos

Delcy Rodríguez defende mudanças para captar recursos estrangeiros e equilibrar pressões dos EUA e aliados de Maduro

15/01/2026
Presidente interina da Venezuela propõe reformas no setor petrolífero para atrair investimentos
Delcy Rodriguez - Foto: AP Photo/Ariana Cubillos

Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, utilizou seu primeiro discurso no Congresso nesta quinta-feira, 15, para defender reformas na indústria petrolífera, com o objetivo de atrair investimentos estrangeiros. A proposta segue uma linha defendida pelo governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, desde a destituição do ex-presidente Nicolás Maduro, há menos de duas semanas.

Rodríguez, sob pressão americana para alinhar-se à nova visão para o país, afirmou que a receita proveniente das vendas de petróleo venezuelano será destinada ao fortalecimento dos serviços de saúde, ao desenvolvimento econômico e a projetos de infraestrutura, setores gravemente afetados pela crise.

Apesar das críticas ao governo Trump e de afirmar que há uma "mancha em nossas relações", a ex-vice-presidente apresentou uma perspectiva diferente para o futuro das relações entre os países, distanciando-se de antecessores que tradicionalmente protestavam contra a intervenção dos EUA na Venezuela.

"Não tenhamos medo da diplomacia" com os Estados Unidos, declarou Rodríguez, que agora precisa equilibrar as pressões vindas de Washington e a necessidade de manter o apoio dos setores leais a Maduro.

O pronunciamento, transmitido com atraso no país, ocorreu um dia após Rodríguez anunciar que seu governo seguirá libertando prisioneiros detidos sob o regime anterior, marcando o que descreveu como "um novo momento político" desde a destituição de Maduro.

No mesmo dia, Donald Trump recebeu na Casa Branca a líder opositora María Corina Machado, cujo partido é considerado favorito nas eleições de 2024 no exterior. Entretanto, ao apoiar Rodríguez, que foi vice-presidente de Maduro desde 2018, Trump deixou Machado de lado.

Segundo Rodríguez, os recursos do petróleo serão divididos em dois fundos: um para serviços sociais e saúde pública, e outro para o desenvolvimento econômico e infraestrutura.

Hospitais e unidades de saúde venezuelanas enfrentam dificuldades há anos, com pacientes sendo obrigados a fornecer materiais básicos para tratamento. A crise econômica, agravada por outros fatores, levou milhões de venezuelanos a emigrar nos últimos anos.

Corda bamba

Rodríguez terá de equilibrar as pressões de Washington e dos altos funcionários venezuelanos ligados às forças de segurança, que se opõem fortemente aos EUA. Seus discursos públicos recentes refletem esse desafio, alternando entre apelos à cooperação com os americanos e retórica anti-imperialista semelhante à de Maduro.

Autoridades dos EUA criticam o governo venezuelano, classificando-o como "ditadura", enquanto Caracas mantém um discurso populista contrário à interferência estrangeira.

No curto prazo, Rodríguez está dispensada de realizar eleições. O Supremo Tribunal venezuelano concedeu a ela poderes presidenciais interinos, com base em dispositivo constitucional que permite ao vice-presidente assumir o cargo por períodos renováveis de 90 dias.

Trump buscou o apoio de Rodríguez para garantir o controle americano sobre as vendas de petróleo venezuelano, mesmo após tê-la sancionado por violações de direitos humanos em seu primeiro mandato (2017-2020). Para assegurar seu alinhamento, Trump chegou a ameaçá-la com uma "situação ainda pior que a de Maduro".

Maduro, atualmente preso no Brooklyn, se declarou inocente das acusações de tráfico de drogas.

Antes do discurso de Rodríguez, apoiadores do governo foram autorizados a entrar no palácio presidencial, onde entoaram gritos em defesa de Maduro. "Maduro, resista, o povo está se levantando", bradavam.

Fonte: Associated Press.

Conteúdo traduzido com auxílio de inteligência artificial e revisado pela equipe do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.