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Imprevisibilidade de Trump preocupa balança comercial brasileira em 2026, aponta FGV

Relatório do Icomex destaca incertezas com políticas dos EUA e impactos de acordos internacionais

15/01/2026
Imprevisibilidade de Trump preocupa balança comercial brasileira em 2026, aponta FGV
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O desempenho das trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos contribuiu para a redução do superávit da balança comercial brasileira na transição de 2024 para 2025, segundo relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). O impacto negativo foi parcialmente compensado pelo aumento das exportações para a Argentina.

Para 2026, a principal preocupação apontada pelo relatório é a imprevisibilidade das medidas do governo do presidente norte-americano Donald Trump no comércio internacional. "O ano de 2025 foi marcado pelas incertezas trazidas pela imprevisibilidade e total desrespeito às regras do comércio mundial pelo governo Trump", destaca o Icomex.

Entre os eventos que marcam o início de 2026, o relatório cita a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, após 26 anos de negociações. "Os efeitos não são imediatos, pois os cronogramas de desgravação tarifária são longos, podendo chegar a 30 anos para carros de novas tecnologias, no caso brasileiro. Em adição, os ganhos da agropecuária para o Brasil foram reduzidos com imposição de cotas para produtos sensíveis", resume o documento.

Outra questão relevante foi o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que pode afetar a balança comercial de forma indireta por meio de impactos no petróleo e aumenta a preocupação com possíveis políticas intervencionistas na região.

O relatório também destaca o anúncio de uma tarifa de importação de 25% sobre produtos de países que negociam com o Irã. Em 2025, o Irã representou 0,84% das exportações brasileiras e 0,03% das importações. "Os percentuais são pequenos, mas o principal impacto é novamente a incerteza e a imprevisibilidade que Trump traz para o comércio e a economia mundial", observa a FGV. "A expectativa de que, em 2026, Trump se voltasse mais para questões domésticas dos Estados Unidos parece não se concretizar. Iniciamos 2026 com um cenário internacional de potenciais conflitos, somado ao ano eleitoral no Brasil, que tende a gerar volatilidade cambial e afetar decisões no comércio exterior."

Em 2025, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 68,3 bilhões. O volume de exportações aumentou 5,9% em relação a 2024, enquanto as importações cresceram 7,1%.

Na comparação com 2024, o superávit diminuiu US$ 5,9 bilhões. As trocas comerciais do Brasil com os Estados Unidos passaram de um déficit de aproximadamente US$ 300 milhões em 2024 para um déficit de US$ 7,5 bilhões em 2025. O comércio com a China gerou um superávit US$ 1,6 bilhão menor, passando de US$ 30,7 bilhões em 2024 para US$ 29,1 bilhões em 2025. As transações com a União Europeia recuaram de superávit de US$ 1,05 bilhão em 2024 para déficit de US$ 0,5 bilhão em 2025. Em contrapartida, a corrente de comércio com a Argentina contribuiu positivamente, com superávit de US$ 5,2 bilhões em 2025, ante US$ 0,2 bilhão em 2024.