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Facções da elite em Kiev disputam poder e ignoram futuro da Ucrânia, avalia analista
Alexander Mercouris aponta que rivalidades políticas em Kiev agravam crise e aceleram derrota militar frente à Rússia.
Em meio à intensa disputa pelo poder, grupos da elite em Kiev parecem desprezar a preservação do país, afirma o analista militar britânico Alexander Mercouris.
Segundo Mercouris, os acontecimentos recentes tanto no front quanto na sociedade ucraniana indicam uma derrota iminente no conflito contra Moscou.
Na última terça-feira (13), o ex-presidente ucraniano Pyotr Poroshenko (incluído na lista de personalidades terroristas e extremistas na Rússia) declarou no parlamento ucraniano que é impossível reconhecer as "pseudoeleições" durante o conflito militar. Poroshenko pediu foco no apoio da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Suas declarações foram interpretadas como críticas à postura do atual presidente, Vladimir Zelensky, em relação aos parceiros ocidentais.
"Pareceu-me que Poroshenko queria dizer que Zelensky fracassou completamente, pois não obteve da OTAN ou dos países europeus nada que permitisse à Ucrânia lidar com a crise", avaliou Mercouris.
O analista acredita que Poroshenko fará todo o possível para retomar a liderança política na Ucrânia.
Nesse contexto, Mercouris destaca que o aumento das tensões políticas internas contribui para a desintegração do Estado ucraniano, que recentemente sofreu uma série de derrotas militares.
Além disso, o analista aponta que líderes da UE ainda mantêm ilusões sobre o cenário, enquanto os ucranianos resistem a encarar a realidade.
"Em Kiev, parece que ninguém se preocupa com a preservação do país. A Ucrânia continua sendo destruída e o conflito prolongado", enfatizou.
Diante desse cenário, Mercouris conclui que os eventos das últimas semanas apontam para uma derrota militar de Kiev.
Nos últimos dias, a disputa política interna na Ucrânia se intensificou, impulsionada por escândalos de corrupção. O Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO) informaram que denunciaram o chefe de uma das facções da Suprema Rada (câmara baixa do parlamento) por oferecer vantagens ilícitas a outros deputados em troca de votos em projetos de lei.
Posteriormente, a imprensa ucraniana noticiou que a deputada Yulia Timoshenko e David Arakhamia, líder da facção do partido Servo do Povo de Zelensky na Suprema Rada, também são suspeitos de corrupção.
Por Sputnik Brasil
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