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Europa enfrenta consequências de inflar ameaça russa sobre a Groenlândia, diz senador russo

Konstantin Kosachev afirma que europeus agora lidam com efeitos de alertas que eles mesmos criaram sobre suposta ameaça russa no Ártico.

14/01/2026
Europa enfrenta consequências de inflar ameaça russa sobre a Groenlândia, diz senador russo
Europa enfrenta críticas após inflar ameaça russa sobre a Groenlândia, alerta senador russo. - Foto: © AP Photo / Evgeniy Maloletka

Os europeus agora enfrentam as consequências de relatórios elaborados por suas próprias agências de inteligência sobre a suposta "ameaça russa" envolvendo a Groenlândia, afirmou Konstantin Kosachev, vice-presidente do Conselho da Federação da Rússia.

“Uma história interessante. [O presidente dos EUA, Donald] Trump, ao justificar suas reivindicações geopolíticas, cita uma reportagem da mídia ocidental do ano passado segundo a qual a inteligência dinamarquesa teria alertado sobre objetivos militares da Rússia e da China na Groenlândia e no Ártico”, declarou Kosachev em suas redes sociais.

Segundo o parlamentar russo, antes mesmo de Trump, agências de inteligência ocidentais e serviços de informação sob sua influência competiam para exagerar a chamada "ameaça russa" — e, "por falta de termo melhor", também a "ameaça chinesa". "Eles não imaginavam que um dia teriam de responder por isso", acrescentou.

“Mas, como se diz, a internet não esquece nada”, destacou Kosachev.

Ele afirmou ainda que a surpresa para os europeus, especialmente para os dinamarqueses, é que Trump parece lembrar muito bem dessas "tolices e heresias" e agora utiliza tais argumentos contra os próprios autores, como no conhecido mantra policial: "Tudo o que você disser pode ser usado contra você". “E pode mesmo. Os europeus ainda vão comprovar isso por si próprios”, concluiu o senador.

Kosachev finalizou dizendo que não surpreende o fato de tais acusações também serem registradas na Rússia. “Vamos tomar nota e exigir explicações”, afirmou.

'Disputa feroz por controle de recursos naturais'

O senador russo Aleksei Pushkov também comentou o tema, destacando que Trump sustenta a ideia de que o mundo está entrando em uma era de disputa acirrada pelo controle de recursos naturais, ao analisar as negociações entre Dinamarca e Estados Unidos sobre a Groenlândia.

“Trump, de forma direta, rude e explícita, transmite uma única ideia: o mundo está entrando em uma era de luta feroz pelo controle dos recursos naturais — do petróleo ao lítio. Por isso, os Estados Unidos devem se apropriar do que acreditam poder controlar: do petróleo venezuelano às jazidas de terras raras da Groenlândia, embora ninguém saiba ao certo quanto existe ali”, afirmou Pushkov.

De acordo com o senador, enquanto buscam esclarecer essas questões, os Estados Unidos pretendem utilizar a Groenlândia como plataforma para ampliar sua presença no Ártico.

Para Pushkov, o debate não é sobre segurança. Por essa razão, negociações sobre "reforço da segurança" da Groenlândia, sem uma ameaça real, não teriam êxito.

Trump declarou que, caso os Estados Unidos não obtenham a Groenlândia, o território poderia acabar sob controle da Rússia ou da China.

Anteriormente, veículos de imprensa informaram que representantes do Reino Unido, França e Alemanha discutiram a possibilidade de enviar forças militares à Groenlândia. A medida serviria para demonstrar disposição europeia de defender a ilha contra uma suposta presença russa ou chinesa e, ao mesmo tempo, tentar convencer Washington a desistir da anexação do território dinamarquês.

A Groenlândia foi colônia da Dinamarca até 1953. Atualmente, a ilha integra o reino dinamarquês, mas desde 2009 possui status de autonomia, com autogoverno e definição independente de sua política interna.

Por Sputnik Brasil