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Irã insta EUA a não repetir 'erros de junho' e culpa terroristas estrangeiros pela violência no país
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quarta-feira (14) que a recente onda de protestos no país contou com a atuação de "elementos terroristas liderados do exterior", que teriam iniciado ataques armados contra forças policiais e de segurança.
Em entrevista à Fox News, Araghchi declarou que grupos organizados agiram de forma coordenada, adotando métodos semelhantes aos do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), com o objetivo de ampliar o número de mortes durante os distúrbios.
"Eles começaram a atirar contra a polícia e as forças de segurança. Queriam aumentar o número de mortos. Por quê? Porque o presidente Trump disse que, se houvesse mortes, ele interviria. Eles queriam arrastá-lo para esse conflito. E isso foi exatamente uma trama israelense", afirmou o chanceler iraniano.
Segundo Araghchi, os episódios de violência não refletem protestos espontâneos, mas sim uma estratégia externa para provocar uma escalada do conflito no país e criar condições para uma intervenção internacional liderada pelos Estados Unidos.
Ainda durante a entrevista, o ministro iraniano enviou um recado direto ao presidente norte-americano Donald Trump, pedindo que Washington opte pela via diplomática em vez do uso da força. Araghchi alertou Trump para não repetir "o mesmo erro cometido em junho", mês em que, no ano passado, Washington liderou um ataque contra instalações nucleares iranianas.
"Entre guerra e diplomacia, a diplomacia é um caminho melhor. Embora não tenhamos experiências positivas com os Estados Unidos, ainda assim a diplomacia é muito melhor do que a guerra", destacou.
As declarações reforçam a posição oficial de Teerã de que a instabilidade recente no país está ligada a ações externas, inclusive com a prisão de supostos agentes da inteligência de Israel (o Mossad) e de que qualquer escalada militar tende a agravar a crise regional. Ao mesmo tempo, o discurso sinaliza que o Irã busca manter aberta a possibilidade de diálogo, mesmo em um cenário de desconfiança profunda em relação a Washington.
Ataques 'não privaram Irã da tecnologia nuclear'
O chanceler iraniano também declarou na entrevista que ataques dos Estados Unidos contra instalações nucleares do Irã em 2025 não privaram Teerã nem de suas tecnologias nem de sua determinação na área nuclear.
"Sim, vocês destruíram instalações e equipamentos, mas a própria tecnologia não pode ser destruída por bombardeios, e a determinação também não pode ser quebrada por bombardeios", acrescentou.
Araghchi também reiterou que o programa de mísseis iraniano é inegociável. "Mísseis balísticos são nosso meio de defesa, nosso meio de defesa mais confiável, e essa questão não está sujeita a discussão."
Juntando ambas informações, entretanto, o ministro ressaltou que o programa nuclear iraniano será sempre pacífico.
Mais cedo, a agência Reuters, citando um funcionário norte-americano não identificado, informou que os Estados Unidos estão retirando parte de seu pessoal de bases-chave no Oriente Médio como medida de precaução diante do aumento das tensões na região.
Segundo a agência, a decisão ocorreu após declarações de um alto funcionário iraniano que, no mesmo dia, afirmou que o Irã alertou países vizinhos que abrigam tropas norte-americanas de que atingirá bases dos EUA caso Washington lance um ataque.
Os protestos no Irã começaram no fim de dezembro de 2025, após a desvalorização da moeda local, o rial iraniano. A partir de 8 de janeiro, depois de apelos feitos por Reza Pahlavi, filho do xá iraniano deposto em 1979, as manifestações ganharam força, e, no mesmo dia, a internet deixou de funcionar no país.
Em várias cidades da República Islâmica, os protestos se transformaram em confrontos com a polícia e foram acompanhados por palavras de ordem contra o sistema político do país. Houve vítimas tanto entre as forças de segurança quanto entre os manifestantes.
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