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Com envio de ajuda a Gaza, China aposta na reconstrução como caminho para a paz
Analistas veem ação chinesa como estratégia para influenciar processo político e reconstrução material na Faixa de Gaza
A China anunciou o envio de US$ 100 milhões (cerca de R$ 538 milhões) em assistência à Palestina, com foco no alívio da crise humanitária e na reconstrução da Faixa de Gaza. O anúncio ocorre em meio à grave deterioração das condições no território, onde o número de mortos desde outubro de 2023 já chega a 83,7 mil, segundo dados oficiais locais.
"Ao que tudo indica, esse anúncio visa à assistência humanitária. É comida, abrigo, cobertores — pois estamos no inverno, inclusive com chuvas de granizo —, medicamentos e insumos hospitalares e clínicos, o que considero mais importante e urgente neste momento", afirma Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal).
Para Bernardo Boucinha Bernardi, senior fellow do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (Isape), o gesto chinês vai além de um ato de caridade e revela uma estratégia mais profunda. Ele observa que, embora US$ 100 milhões representem uma fração dos US$ 70 bilhões estimados pela ONU para a reconstrução de Gaza, a China envia um sinal claro ao mundo.
Bernardi ressalta que o país asiático utiliza sua expertise técnica para setores estratégicos, planejando integrar Gaza à Nova Rota da Seda, à Rota da Seda Digital e à Rota da Seda Verde, com o fornecimento de tecnologia 5G e sistemas de armazenamento de energia solar. "Eles entendem que um hospital reconstruído com tecnologias e padrões chineses cria um laço de longo prazo muito mais forte do que qualquer discurso diplomático. É o desenvolvimento material servindo como base para a paz política", avalia o analista.
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