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Execução de manifestante iraniano Erfan Soltani é adiada, diz ONG
ONG relata adiamento da execução de jovem preso por protestar contra o governo do Irã; família teve pouco acesso a informações e foi ameaçada.
A execução de Erfan Soltani, prevista para esta quarta-feira, 14, foi adiada, segundo informações da ONG Hengaw Organization for Human Rights. O jovem de 26 anos foi detido em 8 de junho, em sua residência em Kurtis, após participar de protestos contra o governo iraniano.
"De acordo com informações obtidas pela Organização Hengaw para os Direitos Humanos junto a parentes de Erfan Soltani, a ordem de execução, que havia sido comunicada anteriormente à família e estava marcada para esta quarta-feira, não foi implementada e foi adiada", informou a ONG em publicação na rede X.
A sentença de Soltani é baseada na acusação de Moharebeh, ou "inimizade contra Deus", considerada extremamente grave no Irã e passível de pena de morte. A Hengaw ressaltou que, devido ao bloqueio da internet e às restrições de comunicação impostas pelo governo, não é possível atualizar em tempo real os desdobramentos sobre a situação do manifestante.
"Apesar das sérias e contínuas preocupações com o direito à vida de Erfan Soltani, a Hengaw reafirma sua responsabilidade de divulgar qualquer informação atualizada e verificada assim que estiver disponível", reforçou a organização.
Mais de 3 mil mortos
Segundo ativistas, o número de mortos nos protestos em todo o Irã já ultrapassa 3,4 mil. As manifestações, que completam duas semanas neste sábado, 10, têm sido marcadas por repressão crescente das autoridades. O governo reconhece a continuidade dos protestos e intensifica as ações de controle.
Em entrevista à Fox News nesta quarta-feira, 14, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que as autoridades têm "controle total" da situação. "Após três dias de operações terroristas, agora há calma. Estamos em pleno controle", afirmou Araghchi ao programa "Special Report".
Julgamento sem defesa e despedida rápida
De acordo com a Hengaw Organization for Human Rights, Soltani foi submetido a um julgamento acelerado, sem direito à presença de advogados, sem acesso a garantias legais e com pouca transparência. Sua família permaneceu dias sem informações sobre seu paradeiro.
O contato das autoridades com os parentes ocorreu apenas no fim de semana, já para comunicar a execução. Segundo a entidade, a família pôde se despedir de Erfan Soltani por cerca de 10 minutos. A irmã do manifestante, que é advogada, tentou impedir a execução por vias legais, mas não teve acesso aos autos do processo. Os familiares também foram ameaçados caso se manifestassem publicamente sobre o caso.
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