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Dólar à vista abre em leve queda em meio à cautela global

Moeda americana recua diante de incertezas externas e monitoramento de indicadores econômicos dos EUA e do cenário político brasileiro.

14/01/2026
Dólar à vista abre em leve queda em meio à cautela global
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O dólar à vista iniciou a quarta-feira, 14, com leve baixa de 0,08%, cotado a R$ 5,3715. O movimento reflete, sobretudo, a performance da moeda americana frente a outras divisas e moedas emergentes, em um ambiente de cautela global antes da divulgação de importantes indicadores econômicos nos Estados Unidos e da primeira pesquisa Genial/Quaest de 2026 no Brasil.

Investidores acompanham atentamente a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) e das vendas no varejo nos EUA, ambos previstos para as 10h30, além do Livro Bege do Federal Reserve, às 16h. Esses dados são fundamentais para calibrar as expectativas sobre o ritmo de cortes de juros ao longo de 2026, especialmente após o CPI divulgado ontem ter ficado em linha com as projeções do mercado.

Também estão no radar os discursos do presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari (14h), e do presidente do Fed de Nova York, John Williams (16h10), em um contexto de crescente pressão política do governo do presidente americano Donald Trump sobre o banco central norte-americano.

O cenário internacional se agrava com a intensificação das tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Trump voltou a adotar tom mais duro contra o regime iraniano, prometendo "medidas muito duras" diante da repressão aos protestos no país. Segundo ativistas, o número de mortos já ultrapassa 3 mil, e a movimentação de tropas americanas na região aumenta a aversão global ao risco.

No Brasil, o mercado acompanha a divulgação da primeira pesquisa Genial/Quaest de 2026, às 10h, que traz avaliação do governo e um panorama inicial do cenário eleitoral. Em dezembro, o levantamento apontou o presidente Lula à frente em todos os cenários testados, com o senador Flávio Bolsonaro como principal nome da direita. O resultado deve ser acompanhado de perto pelo mercado de câmbio, em um momento em que o risco político volta a influenciar a precificação dos ativos.

Outro destaque nacional é o levantamento do instituto AtlasIntel, divulgado recentemente, que mostra que 57% dos brasileiros discordam da postura do governo Lula diante da operação dos Estados Unidos que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Já 42% apoiam a posição do Planalto, enquanto 2% não souberam ou não responderam.

Também no cenário doméstico, a nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal, mira suspeitas envolvendo o Banco Master. O banqueiro Daniel Vorcaro voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão. Na véspera, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o caso pode configurar a "maior fraude bancária" da história do país.

Na terça-feira, 13, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,06%, cotado a R$ 5,3759, após oscilar entre a mínima de R$ 5,3649 e a máxima de R$ 5,394. Com esse resultado, a moeda americana acumula queda de 2,06% em 2026 frente ao real.