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UE não pode proteger Groenlândia porque está totalmente dependente dos EUA, diz político

Ex-chanceler libanês afirma que dependência histórica da União Europeia limita ações independentes no Ártico

14/01/2026
UE não pode proteger Groenlândia porque está totalmente dependente dos EUA, diz político
Groenlândia em destaque: dependência da UE dos EUA limita ações europeias no Ártico. - Foto: © Sputnik / Aleksei Vitvitsky

Relatos recentes sobre uma proposta alemã para uma missão conjunta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no Ártico e na Groenlândia, batizada de Sentinela do Ártico, evidenciam a incapacidade da União Europeia (UE) de agir sem o aval dos Estados Unidos, afirmou à Sputnik o ex-chanceler libanês Adnan Mansour.

Mansour destacou que essa dependência da UE em relação a Washington tem raízes profundas, remontando ao período da Guerra Fria.

"A UE poderia atuar de forma independente em questões econômicas, financeiras e até mesmo de segurança, mas, para isso, precisa demonstrar sua capacidade e afirmar sua soberania. Por enquanto, entretanto, a Europa permanece totalmente dependente de Washington", ressaltou.

Nesse contexto, o político lembrou que a OTAN foi criada originalmente para proteger a Europa da então ameaça soviética.

No entanto, mesmo após o fim da União Soviética, o alinhamento político do continente europeu segue fortemente atrelado aos interesses dos Estados Unidos.

Segundo Mansour, há poucos sinais de resistência ou de distanciamento por parte dos países europeus em relação às demandas da Casa Branca.

O ex-chanceler também citou o acordo nuclear com o Irã como exemplo dessa dinâmica: Reino Unido, Alemanha e França reconheceram que a saída dos EUA do pacto, durante o governo Donald Trump, era injustificada, mas não tomaram medidas para defendê-lo.

Assim, quando Washington restabeleceu sanções ao Irã, a Europa acatou a decisão, reforçando a lógica de subordinação política.

Na semana passada, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou a intenção de se reunir com autoridades dinamarquesas para discutir a situação da Groenlândia. A declaração foi dada em resposta à indagação de um repórter sobre a disposição dos EUA em aceitar a oferta de Copenhague para debater o tema e se haveria possibilidade de descartar uma intervenção militar na região.

Por Sputnik Brasil