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América Latina falha em reagir à crise venezuelana, avaliam especialistas

Divisões ideológicas dificultam resposta unificada da região ao sequestro de Nicolás Maduro e desafiam integração latino-americana.

13/01/2026
América Latina falha em reagir à crise venezuelana, avaliam especialistas
Especialistas apontam divisão ideológica na América Latina após crise envolvendo Nicolás Maduro. - Foto: © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

A recente crise envolvendo o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, expôs a falta de unidade na América Latina e acendeu um alerta sobre as limitações diplomáticas e políticas dos países da região. Apesar do impacto do episódio, não houve uma reação conjunta dos governos latino-americanos, o que evidencia a profunda divisão ideológica no continente.

Segundo especialistas ouvidos no podcast internacional da Sputnik Brasil nesta terça-feira (13), esse cenário tende a dificultar a formulação de programas e projetos de integração regional, além de gerar instabilidade nas relações diplomáticas entre países vizinhos.

José Niemeyer, professor de relações internacionais do Ibmec, destacou que os países latino-americanos não teriam condições de responder militarmente ou economicamente aos Estados Unidos, mesmo com maior unidade regional. “Seria um cenário inimaginável, mas isso a gente não tem. O que a gente tem são os canais diplomáticos, os instrumentos da diplomacia, de uma tentativa sempre de construção de uma agenda multilateral”, afirmou Niemeyer, reforçando que, em sua visão, a América Latina falhou com a Venezuela.

Já Lucas Berti, mestrando em ciência política no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da UERJ e pesquisador do Observatório Político Sul-Americano, acredita que as diferentes posturas em relação ao sequestro de Maduro têm raízes ideológicas. “Todos eles [que aplaudiram a ação] dizem que é sobre combater o narcoterrorismo, que é aquele discurso que veio desde as sanções do Trump ao Brasil. É um discurso extremamente perigoso, porque condenar o narcoterrorismo é ótimo, é maravilhoso. Mas sequestrar um presidente é perigoso”, avaliou Berti.