Geral

Iraniano condenado à morte foi julgado sem defesa e teve minutos para se despedir da família

Erfan Soltani, de 26 anos, será executado pelo regime iraniano após julgamento sumário; família teve apenas 10 minutos para vê-lo antes da execução.

13/01/2026
Iraniano condenado à morte foi julgado sem defesa e teve minutos para se despedir da família
Erfan Soltani - Foto: Reprodução

Organizações de direitos humanos denunciam que Erfan Soltani, jovem iraniano de 26 anos, será executado pelo regime do Irã na quarta-feira, 14. Ele foi detido em sua residência, na cidade de Kurtis, no último dia 8, sob acusação de participar dos protestos contra o governo que se intensificaram desde o fim do ano passado.

A condenação de Erfan foi baseada na acusação de Moharebeh, ou "inimizade contra Deus", crime considerado gravíssimo e punível com a pena de morte no país. O Irã, apesar de possuir instituições republicanas como presidente, parlamento e eleições, mantém todo o poder centralizado sob a autoridade do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo e chefe de Estado.

Segundo a ONG Hengaw Organization for Human Rights, após a prisão, Soltani foi submetido a um julgamento acelerado, sem direito à presença de advogados, sem acesso a direitos básicos e sem transparência. A família permaneceu dias sem informações sobre seu paradeiro e só foi notificada sobre a execução iminente no fim de semana.

Despedida em apenas 10 minutos

As entidades relatam que a família de Erfan teve direito a uma breve visita de cerca de 10 minutos, apenas para se despedir. Sua irmã, advogada, tentou recorrer judicialmente contra a pena de morte, mas não teve acesso aos autos do processo. Os familiares também teriam sido ameaçados pelas autoridades caso se manifestassem publicamente sobre o caso.

De acordo com o site IranWire, Erfan trabalhava no setor de vestuário e havia iniciado recentemente em uma empresa privada. Nas redes sociais, demonstrava interesse por esportes e musculação, além de ser descrito por amigos como apaixonado por moda e estilo pessoal.

Fontes informaram ao IranWire que Soltani já havia recebido ameaças de agentes de segurança antes da prisão e alertou a família de que estava sendo vigiado. Mesmo assim, ele continuou participando dos protestos. O órgão responsável pela sua prisão, julgamento e execução ainda não foi esclarecido.

Ainda que familiares confirmem a execução, a Iran Human Rights (IHRNGO) alerta que o regime iraniano já utilizou o anúncio de sentenças de morte para intimidar manifestantes e pressionar famílias. "No caso de Abbas Deris, manifestante de 2019, as autoridades comunicaram a condenação por assassinato para forçar um pedido de perdão à família da vítima, o que equivaleria a uma confissão de culpa", informou a entidade.

Protestos e repressão

Desde 28 de dezembro, o Irã enfrenta uma onda de protestos motivados pelas condições econômicas precárias. As manifestações começaram em Teerã e se espalharam por diversas cidades.

Segundo a IHRNGO, ao menos 648 pessoas morreram nos protestos, enquanto outras fontes citam mais de 2 mil vítimas fatais. A mídia estatal iraniana informou que pelo menos 121 agentes das forças de segurança morreram, sem incluir dados de Teerã.

Em resposta aos protestos, o líder supremo Ali Khamenei afirmou que a República Islâmica não irá recuar. Já o presidente Masoud Pezeshkian convocou apoiadores do governo a se mobilizarem nos bairros para conter as manifestações.

O governo iraniano também bloqueou o acesso à internet no país. De acordo com a NetBlocks, 99% da rede está inacessível em território iraniano. "Durante o atual bloqueio, apenas um número limitado de cidadãos conseguiu acessar a internet via Starlink. Também surgiram relatos de interferências que afetam os receptores do serviço", informou a Iran Human Rights.