Geral

Tarifas de Trump impulsionam comércio recorde entre Brasil e China

Volume comercial entre Brasil e China atinge US$ 171 bilhões em 2025, o dobro do negociado com os EUA, segundo O Globo.

Sputinik Brasil 13/01/2026
Tarifas de Trump impulsionam comércio recorde entre Brasil e China
Comércio entre Brasil e China bate recorde em 2025, impulsionado por tarifas dos EUA e alta na exportação de soja. - Foto: © Foto / Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

Em 2025, o volume de comércio entre Brasil e China superou US$ 170 bilhões (R$ 914,77 bilhões), o dobro do registrado nas transações com os Estados Unidos, conforme informou o jornal O Globo.

Segundo a publicação, o fluxo comercial entre os dois países cresceu 8,2% em comparação a 2024, totalizando US$ 171 bilhões (aproximadamente R$ 919,5 bilhões). Já o comércio com os EUA alcançou US$ 83 bilhões (cerca de R$ 446,5 bilhões), menos da metade do volume negociado com os chineses.

O comércio bilateral com a China em 2025 foi o segundo maior da história das relações econômicas entre os países, ficando atrás apenas do recorde absoluto de 2023.

Dados do Conselho Empresarial Brasil-China, citados pelo jornal, apontam que o aumento das exportações brasileiras para a China foi impulsionado, principalmente, pelos embarques de soja, que representaram pouco mais de um terço do valor total exportado ao país asiático. Houve uma alta de 10% nas vendas do grão em relação a 2024.

O crescimento do comércio com a China foi influenciado pelas guerras tarifárias promovidas pela administração de Donald Trump. A imposição de pesadas tarifas comerciais pelos EUA levou o governo brasileiro a diversificar mercados, reduzindo exportações para os americanos e ampliando as relações comerciais com os chineses.

A China, diante das políticas restritivas de Washington, chegou a suspender temporariamente as importações de soja dos Estados Unidos, optando por ampliar as compras do Brasil.

"No ano passado, os EUA impuseram um tarifaço a diversos países, o que levou a uma mudança nos fluxos comerciais. O Brasil exportou menos aos americanos, mas buscou diversificar mercados para mitigar os impactos", destaca a reportagem.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), cerca de 22% das exportações brasileiras para os EUA continuam sujeitas às tarifas estabelecidas em julho do ano passado.

O texto ressalta que as sobretaxas impostas pela gestão Trump ampliaram o déficit brasileiro na relação bilateral, já que poucos produtos conseguiram compensar, em outros mercados, a perda de competitividade no mercado americano.

Além das exportações, as importações brasileiras de produtos chineses também bateram recorde: em 2025, chegaram a US$ 70,9 bilhões (aproximadamente R$ 381,3 bilhões), alta de 11,5% em relação ao ano anterior.

O material destaca que "o eixo do comércio exterior brasileiro hoje tende a se voltar cada vez mais para a Ásia", já que quase um terço do intercâmbio comercial do Brasil passa pela China.

Segundo o jornal, a participação chinesa no comércio exterior brasileiro já corresponde a 27,7% do total, que somou US$ 629 bilhões (cerca de R$ 3.381 bilhões) em 2025. Assim, o desempenho chinês superou o de parceiros tradicionais, como os Estados Unidos, cujas compras recuaram 6,6%.