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Real perde valorização global do dólar por ajustes técnicos

Apesar da alta das commodities e do enfraquecimento global do dólar, moeda brasileira teve pior desempenho entre emergentes devido a fatores técnicos.

12/01/2026
Real perde valorização global do dólar por ajustes técnicos
- Foto: Reprodução

A leve valorização do dólar à vista frente ao real foi suficiente para que a moeda brasileira registrasse a pior performance entre os principais emergentes e exportadores de commodities nesta segunda-feira, 12, mesmo diante da alta do petróleo e do minério de ferro. O movimento, porém, foi atribuído a fatores técnicos, e não a fundamentos domésticos, já que o real lidera a apreciação entre moedas emergentes em 2026 até o momento.

No cenário internacional, a investigação do governo Donald Trump contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, provocou um enfraquecimento global do dólar, diante da percepção de maior risco de interferência política no banco central norte-americano. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis moedas fortes, recuava cerca de 0,3%.

O dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,3725, após oscilar entre a mínima de R$ 5,3509 e a máxima de R$ 5,3859, ambas registradas pela manhã. O contrato futuro para fevereiro mantinha estabilidade em R$ 5,402 por volta das 18h. Apesar da liquidez reduzida, em 2026 a moeda americana acumula queda de 2,12% frente ao real.

Em vídeo divulgado na noite de domingo, Powell informou que o Fed recebeu uma intimação do grande júri do Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos na última sexta-feira, 9, com ameaça de acusação criminal contra ele. O dirigente afirmou ainda que a ação integra uma campanha contínua do governo Trump contra sua gestão, que tem resistido a pressões por cortes mais agressivos nos juros.

"A investigação contra Powell foi recebida de forma negativa, pois trata-se de um presidente que já foi abertamente criticado por Donald Trump e está próximo de deixar o cargo. Isso sugere uma possível influência de Trump no processo, aumentando o risco de interferência política no Fed", avalia Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou que Trump tenha orientado funcionários do DoJ a investigar Powell. No entanto, Sanchez ressalta que, independentemente da decisão de Powell sobre renunciar ou não diante das pressões, seu mandato termina já no segundo trimestre deste ano.

"Isso significa que Trump poderá indicar alguém com perfil mais 'dovish', como Stephen Miran, recentemente sugerido por ele. Essa mudança tende a enfraquecer o dólar e fortalecer outras moedas globais", acrescenta o economista.