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Globo de Ouro 2026: ‘Prêmios mudaram a percepção sobre cinema brasileiro no exterior’, afirma especialista
Vitórias de O Agente Secreto e Wagner Moura ampliam visibilidade do país na indústria internacional, segundo a cineasta Fernanda Schein, e aquecem chances para o Oscar
A vitória de Wagner Moura como o Melhor Ator em Filme de Drama e de "O Agente Secreto" como Melhor Filme em Língua Não Inglesa no Globo de Ouro colocou novamente o Brasil no centro da temporada de premiações internacionais. Longe de uma campanha amplamente apontada como favorita, o filme avançou aos poucos e terminou a noite como um dos grandes destaques e claro, como uma promessa para o Oscar.
Para a cineasta Fernanda Schein, que acompanha de perto o mercado audiovisual em Los Angeles, o resultado é consequência de um trabalho construído ao longo do tempo. “O Agente Secreto vai sendo trabalhado de uma maneira muito bonita e muito efetiva. É um filme que passa pelo Festival de Cannes, ganha uma grande visibilidade e vai sendo construído ao longo da temporada até chegar ao Globo de Ouro com chance real de vitória para o Wagner”, afirma.
Mudança no olhar internacional sobre o cinema brasileiro
Radicada em Los Angeles, Fernanda diz que a repercussão do filme evidencia uma transformação na forma como o cinema brasileiro é percebido fora do país. “Nesses anos que eu estou aqui em Los Angeles, é muito interessante ver como foi mudando a abordagem das pessoas em relação ao cinema brasileiro”, diz. Segundo ela, o repertório era limitado. “Antes, a gente só escutava as pessoas falando de Cidade de Deus e Central do Brasil. Agora existe um interesse maior, uma curiosidade maior. Mudou a percepção sobre o cinema brasileiro”
No entanto, na avaliação da cineasta, esse novo momento também depende de estrutura interna. “É preciso que haja regulamentação de streaming. É preciso que haja lei de incentivo fiscal. Todas essas coisas que já existem em outros países e que até então, são muito limitadas no Brasil”, afirma. Para ela, políticas de fomento são fundamentais para que as produções brasileiras consigam crescer e competir em igualdade no mercado internacional.
Oscar no radar
Com o Globo de Ouro, a conversa avança para a próxima etapa da temporada. “Pensando agora já rumo ao Oscar”, afirma Fernanda, ao comentar o início do período de votação. Segundo ela, o prêmio ajuda a mudar o patamar da atenção internacional. “Quando você ganha um Globo de Ouro, as pessoas passam a olhar de outra forma”, diz.
A cineasta destaca que o reconhecimento recente interfere diretamente na circulação do filme entre votantes. “Isso faz com que o filme seja visto, comentado, discutido”, afirma. “É um momento em que todo mundo começa a prestar atenção.”
Para Fernanda, o efeito não se limita a um único título. “Quando um filme brasileiro chega nesse lugar, ele acaba puxando outros”, diz. “Abre espaço para conversa, para curiosidade e para que o cinema brasileiro seja levado mais a sério nesse circuito.”
Saiba mais sobre Fernanda Schein:

Do interior do Rio Grande do Sul para Los Angeles, a cineasta e editora Fernanda Schein já atuou em diversos projetos importantes do cinema e da publicidade. Fez mestrado na New York Film Academy e com o tempo se consagrou tanto em projetos internacionais quanto nacionais, como “Neymar: O Caos Perfeito” (Netflix), o filme “Forbidden Wish” (Prime Video), “Poisoned” (Netflix) - ganhador do Emmy - e o documentário de sucesso “O Caso dos Irmãos Menéndez”, que estreou em outubro na Netflix e logo conquistou a atenção do mundo todo. Também, estrelou em produções independentes, como “The Boy in The Mirror”, vencedor do prêmio de melhor curta-metragem no California Women's Film Festival.
Foi editora/montadora principal de projetos dirigidos por Rob Styles, como “A Social(Media) Construct” e “Sleeping Awake”. Brilhou com “I See You” e “Envenenados: O Perigo na Nossa Comida”, para a Netflix, o longa-metragem “Farewelling”, dirigido por Rodes Phire e o curta “Last Minute”, de Joel Junior.
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