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'Mulher deveria ser proibido': delegada de SP é alvo de ataques machistas após comemorar posse

Raphaela Natali Cardoso, de 31 anos, foi vítima de comentários misóginos ao celebrar conquista profissional; Polícia Civil investiga o caso.

12/01/2026
'Mulher deveria ser proibido': delegada de SP é alvo de ataques machistas após comemorar posse
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma foto publicada para celebrar a posse de Raphaela Natali Cardoso, de 31 anos, como delegada da Polícia Civil de São Paulo, desencadeou uma série de ataques misóginos nas redes sociais. Após compartilhar sua conquista, resultado de quatro anos e meio de preparação para concursos públicos, Raphaela tornou-se alvo de discriminação e injúrias. A Polícia Civil do Estado já investiga o caso.

“O que era pra ser a celebração começou a ter uma repercussão muito diferente e inesperada”, relatou Raphaela em vídeo divulgado em suas redes sociais.

As ofensas, publicadas por perfis ainda não identificados, continham mensagens de teor ofensivo e sexista. Entre os comentários estavam frases como: “Delegado, juiz e qualquer cargo de justiça: mulher deveria ser proibido” e “Seria mais relevante se estivesse parindo menino”.

Outros ataques de cunho pessoal incluíram insinuações sobre a vida privada e saúde mental da delegada. “Ai é complicado, imagina o tanto de dilemas mentais essa mulher deve ter”, dizia um dos comentários; outro afirmava: “Pra chegar solteira aos 30, espero que ela aprenda a lidar com o PCC melhor do que lidou com homens”.

De acordo com o boletim de ocorrência, os comentários foram classificados como discriminatórios. O caso foi registrado pela Delegacia Eletrônica como prática de discriminação e injúria e encaminhado ao 51º Distrito Policial (Rio Pequeno), responsável pela investigação.

“Esse tipo de coisa tem nome: misoginia. Essas pessoas têm aversão à mulher. Tudo o que as mulheres fazem ou os espaços que ocupam é tratado como um absurdo”, declarou Raphaela. Ela frisou que os ataques não irão desencorajar mulheres que desejam ocupar cargos de liderança no setor público.

“Esse discurso faz exatamente o efeito reverso, a gente vai ocupar espaços, posições de poder porque a gente quer e porque a gente pode. Nós, mulheres, somos competentes e capazes, tal qual os homens, isso é inquestionável”, afirmou.

Diante da repercussão, o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) lançou a campanha #LugarDeMulherÉOndeElaQuiser em defesa das mulheres em cargos de poder.

O deputado federal delegado Bruno Lima (PP) anunciou, em publicação na rede social X, que protocolou um requerimento de Moção de Repúdio contra os ataques sofridos por Raphaela. “Não é opinião. É violência e tentativa de deslegitimar mulheres que ocupam, com competência e preparo, espaços de decisão na Segurança Pública e em todo o sistema de Justiça”, destacou.