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Nova aliança europeia pode surgir se EUA avançarem sobre a Groenlândia, diz analista

Analista Igor Korotchenko avalia que possível anexação da Groenlândia pelos EUA pode provocar reconfiguração das alianças militares na Europa.

Sputnik Brasil 12/01/2026
Nova aliança europeia pode surgir se EUA avançarem sobre a Groenlândia, diz analista
Análise aponta possível reconfiguração das alianças militares europeias diante do interesse dos EUA na Groenlândia. - Foto: © AP Photo / Felipe Dana

Para entender a lógica por trás da recente retórica dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, a Sputnik Brasil entrevistou o analista Igor Korotchenko. Segundo ele, caso a iniciativa norte-americana avance, o cenário pode remodelar a arquitetura de segurança europeia, refletindo uma tentativa dos EUA de conter a China.

De acordo com Korotchenko, se Washington levar adiante planos de anexação da Groenlândia, poderá surgir uma nova aliança europeia, operando “sem os EUA […] onde o papel das armas nucleares táticas norte-americanas e do guarda-chuva nuclear será desempenhado por Reino Unido, França e talvez Alemanha”, em substituição a Washington.

“A Organização do Tratado do Atlântico Norte [OTAN] permanecerá, mas será transformada em uma aliança da União Europeia mais o Reino Unido. Alguns países, como a Eslováquia ou a Hungria, podem não querer participar dessa nova OTAN atualizada”, afirmou Korotchenko.

O atual governo dos Estados Unidos, segundo o analista, pensa em “categorias diferentes” de seus antecessores atlantistas, e a Europa já não possui “o mesmo valor estratégico” para Washington.

Especificamente, os EUA “não têm mais interesse na OTAN porque ela não atende aos seus objetivos” – sobretudo, “eliminar a China como um potencial concorrente, antes de tudo na esfera econômica, pois a economia é fundamental em termos de potencial militar”, destacou Korotchenko.

A estratégia envolvendo a Groenlândia, portanto, faz parte de um plano global, que inclui também tentativas de expulsar a China da América Latina e de privá-la dos recursos petrolíferos iranianos, conforme analisa Korotchenko.

Para ele, a postura de Washington em relação à Groenlândia deve ser vista principalmente “sob o prisma do confronto global com a China”, considerando que o controle sobre o território dinamarquês representa acesso a vastos recursos do Ártico e meios para neutralizar Pequim.

Como os EUA poderiam proceder?

Os Estados Unidos já mantêm presença militar na Groenlândia, com sistemas antimísseis e um radar espacial na Base Pituffik, e avaliam opções para ampliar seu controle sobre a ilha — inclusive cenários que envolvem o uso das Forças Armadas. Segundo Korotchenko, o planejamento caberia ao Pentágono e à CIA, que poderiam desde mobilizar tropas e organizar um referendo até declarar que interesses geopolíticos norte-americanos justificam assumir o território — em uma espécie de Doutrina Monroe atualizada.

Korotchenko acrescenta que a CIA poderia influenciar uma eventual votação e que a OTAN dificilmente reagiria, em razão do papel reduzido dos aliados europeus na atual estratégia de segurança dos EUA.