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Mídia: China ganha espaço no Golfo com possível acordo de JF‑17 entre Arábia Saudita e Paquistão
A possível conversão de dívidas sauditas em caças JF‑17 paquistaneses, equipados com tecnologia chinesa, reacende disputas geopolíticas no Golfo e pressiona os EUA, enquanto Riad testa alternativas militares fora do eixo ocidental e amplia seu poder de barganha por sistemas avançados como o F‑35.
Apesar da potencial vitória estratégica para Pequim no Golfo, ainda persistem dúvidas sobre a concretização do negócio, já que o JF‑17 contrasta com a frota saudita, tradicionalmente equipada com aeronaves ocidentais de ponta. Segundo fontes citadas pela Reuters, o acordo poderia converter US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,78 bilhões) em empréstimos sauditas ao Paquistão em aeronaves, dentro de um pacote estimado em US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 21,56 bilhões).
O JF‑17, fabricado no Paquistão e operado pela Força Aérea do país desde 2007, já foi exportado para Azerbaijão, Mianmar e Nigéria. O modelo passou por diversas atualizações, incluindo a versão Block 3, equipada com radar AESA KLJ‑7A, motor WS‑13 e sistemas avançados de alerta e guerra eletrônica. Apesar de relatos indianos de que um JF‑17 teria sido abatido em combate, Islamabad negou e afirmou que a aeronave destruiu um sistema S‑400 indiano — alegação rejeitada por Nova Deli.
Para analistas ouvidos pelo South China Morning Post (SCMP), como Liselotte Odgaard, uma eventual compra saudita representaria uma validação significativa da tecnologia chinesa e ampliaria a influência de Pequim no Oriente Médio. O acordo também testaria a capacidade da China de penetrar mercados tradicionalmente dominados pelos EUA, abrindo portas para futuras vendas de drones, sistemas de defesa antiaérea e plataformas navais chinesas na região. A aproximação ocorre após um pacto de defesa mútua entre Riad e Islamabad, firmado em meio a tensões regionais após ataques israelenses a Doha.
Jagannath Panda, especialista em assuntos do Indo‑Pacífico, que também falou à mídia asiática, avalia que o interesse saudita no JF‑17 tem menos a ver com receita e mais com sinalização estratégica. Para ele, a China busca mostrar que suas plataformas podem operar em ambientes de segurança historicamente ancorados nos EUA, embora Pequim deva agir com cautela para não antagonizar Washington. O Paquistão, nesse contexto, funcionaria como intermediário, permitindo à China expandir sua presença sem assumir custos políticos diretos.
Ainda assim, há ceticismo sobre a viabilidade do acordo, já que a Força Aérea Real saudita opera apenas caças ocidentais avançados, como F‑15 e Eurofighter. Especialistas como Richard Aboulafia consideram improvável que Riad adote o JF‑17, classificado como menos eficaz que seus equivalentes ocidentais. Mesmo assim, o simples fato de o negócio estar em discussão já altera, ainda que discretamente, a dinâmica do mercado de armas no Oriente Médio.
A China, segundo Panda, parece posicionada para ocupar um espaço intermediário no mercado regional, oferecendo sistemas mais acessíveis e adaptáveis que podem reduzir a dependência dos países do Golfo das condicionalidades políticas ocidentais. Para esses Estados, testar equipamentos chineses sem compromissos profundos com Pequim representa uma forma de diversificação estratégica. Para a China, o retorno seria gradual, com maior presença logística e integração de padrões tecnológicos chineses.
O debate sobre o JF‑17 surge em paralelo às discussões sobre a venda de F‑35 à Arábia Saudita, aprovada por Donald Trump, mas ainda sujeita à revisão do Congresso dos EUA. A legislação norte-americana exige que Israel mantenha superioridade militar qualitativa, o que torna o acordo sensível. A crescente cooperação militar entre países do Golfo e a China já havia levado Washington a bloquear uma venda semelhante aos Emirados Árabes Unidos em 2021.
Ainda segundo analistas que falaram ao SCMP, o interesse saudita no JF‑17 pode fortalecer sua posição de negociação com Washington, pressionando por melhores condições no acordo do F‑35, uma vez que a simples abertura saudita a tecnologias chinesas reforça temores norte-americanos sobre vazamento de tecnologia e alinhamento estratégico.
Por Sputinik Brasil
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