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Cerca de 3% dos jovens acima de 15 anos podem ser considerados alcoólatras no Brasil

28/10/2022
Cerca de 3% dos jovens acima de 15 anos podem ser considerados alcoólatras no Brasil

O consumo de bebidas alcoólicas continua sendo amplamente difundido entre adolescentes e adultos brasileiros, principalmente se considerar o enorme mercado publicitário que incentiva a ingestão dessas substâncias. Recentemente uma publicação de agosto da Sociedade Brasileira de Neurologia mostrou que quase 3% da população acima de 15 anos já pode ser considerada alcoólatra, algo em torno de 4 milhões de brasileiros.

Esse índice já está próximo da realidade dos Estados Unidos, que possuí 5,3% dos americanos com mais de 12 anos com Transtorno por Uso de Álcool. Essas pesquisas também indicam que o uso de álcool durante a adolescência pode interferir no desenvolvimento normal do cérebro adolescente e aumentar o risco de desenvolver AUD. Além disso, o consumo de álcool por menores contribui para uma série de consequências agudas, incluindo lesões, agressões sexuais, overdose por bebida e mortes, incluindo aquelas decorrentes de acidentes com veículos motorizados.

O especialista em dependência química, Uranio Paiva, explica que o declínio cognitivo causado pelo álcool provoca a alteração de funções cerebrais hipocampais, ou seja, são milhares de pessoas que, futuramente, poderão ter problemas cognitivos, graves ou não. “Nesse período o jovem está em um processo de organização cerebral para poder definir a cognitividade, a capacidade cerebral e as posturas de vida dele. Se o álcool for inserido justamente nesse período ele desorganiza essa formação que a natureza proporciona e mais a frente, em fase adulta, ele terá problemas de cognitividade e pode chegar a ter até mesmo problemas psiquiátricos”, alerta o especialista.

Com mais pessoas nessa situação, é possível desencadear um grande impacto no atendimento de geriatras, neurologistas e neurocirurgiões em todo o Brasil no futuro.  Uranio Paiva também salienta que todos esses dados indicam um cenário perigoso no qual o consumo de bebidas alcoólicas, mesmo proibido para menores de 18 anos no país, vive uma forte tendência de crescimento entre os adolescentes.

“Muitas vezes o pai na brincadeira oferece um copo de cerveja para um adolescente de 12 anos de idade, minimizando o impacto que isso pode causar. É importante que os responsáveis saibam os efeitos causados pelo álcool a longo prazo”, destaca.

Na população de adultos, entre 10% e 12% apresentam indícios que podem se tornar dependentes. Com os adolescentes começando bem mais cedo, com 12 e 13 anos, a preocupação se torna maior já que é nessa fase que o cérebro está em processo de formação e onde todos os circuitos cerebrais pertencentes à infância precisam ser organizados para poder desenvolver o QI do ser humano. Assim, a ingestão do álcool nessa fase gera danos imensuráveis e isso ocorre mesmo se as bebidas forem consumidas de forma moderada, uma vez que o acúmulo de ferro no cérebro tem sido associado a diferentes condições neurodegenerativas.

O especialista ressalta que os pais não devem oferecer álcool aos filhos nessa faixa etária, precisam evitar o uso do álcool na frente dos filhos para não estimulá-los e conversar com eles sobre as consequências da ingestão. “Nas escolas é necessário ter uma inserção pontual para que as crianças tenham conhecimento dos danos causados pelas substancias psicoativas no organismo. Quando a pessoa decide pelo uso, ela precisa saber as consequências no seu futuro”, finaliza Dr. Uranio.