Finanças
Galeão receberá R$ 1 bilhão em investimentos e amplia destinos
Aporte feito por parceiros privados inclui novo hotel internacional e centro de manutenção de aviões.
O Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim/Galeão, no Rio de Janeiro, vai receber aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos ao longo dos próximos três anos. Os aportes serão feitos por parceiros comerciais privados em áreas como hotelaria, logística, manutenção de aeronaves e outras.
Virão também voos para 30 novos destinos, entre incremento de frequências, novas rotas e retomadas de linhas sazonais, sendo 12 deles no exterior, com ligações para localidades como Nova York, Dallas, Salta, Lima, Toronto e Montreal, além de ampliação da oferta de voos a pontos como Paris, Miami, Lisboa e Frankfurt.
O Galeão está, desde o último dia 6 de outubro, sob gestão da Aena, gigante aeroportuária espanhola que arrematou o terminal relicitado em leilão no fim de março. A empresa levou o ativo com um lance de R$ 2,9 bilhões em outorgas, enquanto o lance mínimo previsto era de R$ 932 milhões. E terá a gestão do ativo até 2039.
Santiago Yuz, diretor-vice-presidente da Aena Brasil, participou de um evento no Galeão na manhã desta terça-feira para marcar o início da gestão do aeroporto. Ele frisou que a concessionária seguirá trabalhando "no mínimo" até o fim do contrato atual, e que, "se depois, conseguir estender, melhor ainda".
O executivo explicou que os investimentos diretos da concessionária no aeroporto ainda não estão definidos. Eles virão em melhorias — que o passageiro deverá perceber já no início de 2027 — em índices de qualidade, aprimorando infraestrutura e equipamentos, a exemplo de elevadores, banheiros e sistema de climatização.
— O Galeão é a principal porta de entrada do Brasil e tem um grande potencial de crescimento. Temos cerca de R$ 1 bilhão de investimento previsto de terceiros a serem aportados ao longo dos próximos três anos, gerando 3.860 empregos — diz Santiago Yuz.
Novo hotel de até 426 quartos
Nessa frente estão projetos como o de um novo hotel de bandeira internacional, com 232 quartos, mas já com a possibilidade de ter uma expansão a 426. O hotel receberá R$ 90 milhões em aporte e será operado pela bUP.
Em paralelo, um centro de testes da BYD, projeto de R$ 300 milhões, vai ocupar uma área de 184 mil metros quadrados, com a previsão de gerar 1.200 empregos.
A Gol já anunciou que terá um hangar de manutenção de 56 mil metros quadrados no Galeão, fazendo aporte de R$ 100 milhões, gerando 800 empregos.
Já a Hire Capital vai implementar um galpão logístico de 120 mil metros quadrados de área bruta para locação, ao custo de R$ 430 milhões, com o objetivo de atender o mercado fluminense e capixaba. Vai também expandir o galpão logístico já em operação, que passará de 22 mil metros quadrados para 40 mil m², com aporte de R$ 54 milhões.
O executivo participou de evento realizado na manhã desta terça-feira no Galeão, marcando a assinatura do contrato da nova concessionária.
Novas empresas de baixo custo
Ele sublinhou que a Aena vai atuar para atrair novas companhias aéreas, entre domésticas e internacionais, incluindo low-costs, além de empresas da área de carga. O Galeão recebeu 17,5 milhões de passageiros em 2025, devendo encerrar este ano com cerca de 19 milhões.
A despeito do crescimento, o aeroporto ainda tem perto de metade de sua capacidade para até 37 milhões de passageiros ociosa.
Uma das estratégias para avançar em novas companhias, explica Yuz, é integrar o Galeão aos demais 17 aeroportos da Aena no país. Ao todo, essa rede movimentou 63 milhões de passageiros em 2025.
— Temos 18 aeroportos e, em sinergia, podemos estimular conexões domésticas com internacionais ou domésticas com domésticas. Podemos ter linhas anunciadas como Congonhas-Galeão-JFK (aeroporto de Nova York) ou para Recife e, de lá, para o resto do mundo. Podemos estimular vendas cruzadas, colocando incentivos às companhias — explicou o executivo.
O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, celebrou a bem-sucedida relicitação do Galeão, viabilizada pelas novas condições de contrato de forma a garantir o equilíbrio econômico-financeiro da concessão. E frisou que o setor precisa trabalhar de forma coordenada para fazer o movimento no Galeão e no Rio de Janeiro crescer:
— O Galeão sofreu muito com a pandemia. Com a retomada dos voos internacionais, voltam as conexões, os trechos domésticos. O Brasil é um país grande e não sobrevive apenas com o Aeroporto de Guarulhos. Precisa fomentar um outro grande aeroporto internacional. E esse aeroporto é o do Galeão.
Sem licitação no Santos Dumont
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, afirmou que a operação coordenada entre Galeão e Santos Dumont vai seguir a redução gradual da restrição de movimento de passageiros estabelecida ao aeroporto central conforme acordo firmado com o Tribunal de Contas da União (TCU).
Segundo França, não há qualquer estudo em curso para uma eventual licitação do Santos Dumont. O aeroporto responde por quase todo o orçamento da Infraero, estatal de gestão aeroportuária que administra outros 20 aeroportos. Na prática, é preciso pensar a atuação da Infraero antes de avaliar o destino do Santos Dumont.
Em paralelo, ele afirmou que o governo vem trabalhando para atrair empresas low-cost ou mesmo ultra-low-cost ao país, ampliando o acesso a viagens aéreas a mais camadas da população.
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