Finanças

Agressões, ameaças e nome falso: os registros contra a advogada suspeita de desviar dinheiro de idosa

Jéssica Cabral Barradas teve nome envolvido em diversas ocorrências desde 2015

Agência O Globo - 03/10/2026
Agressões, ameaças e nome falso: os registros contra a advogada suspeita de desviar dinheiro de idosa
Jéssica Cabral Barradas teve nome envolvido em diversas ocorrências desde 2015

A advogada Jéssica Cabral Barradas já tinha o nome registrado pela polícia em ocorrências nos últimos 11 anos. Ela é acusada de agressões, perseguição e intimidação de testemunha, além de uso de nome falso numa delegacia.

A vida pregressa da mulher, de 35 anos, foi levantada durante investigação da 37ª DP (Ilha do Governador). O primeiro registro contra ela foi feito em dezembro de 2015, quando uma mulher afirmou ter sido atacada por ela com spray de pimenta. Em fevereiro de 2020, houve uma confusão em uma creche que terminou com uma denúncia de lesão corporal e injúria. Segundo uma auxiliar da instituição, Jéssica teria agredido verbal e fisicamente uma funcionária. Ao tentar contê-la, a denunciante afirmou que teve os braços apertados e ficou machucada.

Ameaças de prisão e agressão

Cerca de um ano depois, em 2021, um homem relatou que uma negociação financeira com Jéssica terminou em cobranças insistentes, contatos com familiares e ofensas. Segundo ele, a advogada dizia que mandaria prendê-lo caso a dívida não fosse paga e sugeria que buscasse dinheiro com agiotas ou em uma “boca de fumo”.

A advogada também é acusada de ameaças a uma policial militar, que era sua vizinha. Segundo a PM, Jéssica, que era síndica do prédio, enviou mensagens ofensivas e afirmou que recorreria a um coronel da Polícia Militar para mandá-la prender após uma discussão sobre a reserva do espaço de festas.

Em novembro de 2025, uma família procurou a polícia depois de um engavetamento na Estrada do Galeão. De acordo com o relato, Jéssica tomou o celular de uma das condutoras sem autorização e disse que mandaria prendê-la, afirmando que era advogada e usaria sua influência. Quando os pais da motorista chegaram ao local, a advogada teria continuado com ofensas e ameaças, incluindo agressão física à mãe. Os fatos foram registrados em vídeo apresentado à polícia e o caso foi registrado como ameaça e injúria.

Coação em processos

Os envolvimentos criminais de Jéssica não param por aí. Uma ocorrência de setembro de 2022, classificada como coação no curso do processo, relata que uma mulher recebeu mensagens com ameaças dirigidas à sua mãe. A intimidação estava relacionada ao fato de a senhora ser testemunha em um processo judicial que ainda está em andamento.

Há outro inquérito por coação também vinculado a um procedimento de 2025. A advogada teria coagido uma profissional de estética após esta ter feito um registro contra ela. Segundo a vítima, Jéssica se despiu completamente e circulou nua dentro do consultório, proferindo palavras para constranger os presentes e expô-la perante seu chefe. Depois de pedir à advogada que cessasse o comportamento e bloquear seus contatos, a profissional conta ter recebido mensagens de outros números com ameaças de processos e de que Jéssica iria “acabar com a vida dela”.

Mariah: nome falso dentro da delegacia

Em dezembro de 2024, Jéssica compareceu à 37ª DP e se apresentou como “Dra. Mariah”, solicitando o cumprimento de uma ordem judicial de prisão civil por dívida de alimentos. Após a execução do mandado, o preso informou que a mulher era sua ex-companheira, Jéssica Cabral Barradas, também advogada da causa.

Jéssica voltou a usar o nome “Mariah” em contato telefônico e desligou ao ser questionada. Posteriormente, foi localizada e identificada. O caso gerou registro por falsa identidade.

A ocorrência também relata que ela mencionou supostos vínculos com policiais, negados pelos servidores citados, e deixou três garrafas de vinho no balcão da unidade, devolvidas após conhecimento da autoridade policial.

Nas redes, Jéssica fazia defesa da advocacia

Nas redes sociais, Jéssica Cabral Barradas se destacava defendendo a valorização da advocacia, inclusive dos profissionais da terceira idade. O discurso público, no entanto, contrasta com as acusações que enfrenta: a advogada é ré por se apropriar de rendimentos de uma idosa de 90 anos, cujo patrimônio deveria proteger como curadora nomeada pela Justiça.

Segundo a investigação, Jéssica transferiu recursos da pensionista para sua própria conta e realizou movimentações mesmo após a morte da mulher. Documentos originais da vítima, cobrados pelo filho havia sete anos, foram encontrados em seu apartamento durante a busca que terminou com sua prisão em flagrante. No mesmo imóvel, policiais apreenderam talheres e um relógio reconhecidos pelo herdeiro como pertencentes à mãe.

A apuração do caso pela Polícia Civil começou a partir de informações encaminhadas pelo Ministério Público, com suspeitas de maus-tratos, abandono material e abusos financeiros. No caso já levado à Justiça, Jéssica responde por dezenas de apropriações de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados e falsidades ideológicas.