Finanças
Tarifaço: ministro prevê reunião 'difícil' com os EUA na próxima semana e diz que nenhum tema será evitado
Conversa foi destravada após ligação de Lula a Trump
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que a conversa com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, será "difícil", devido aos desdobramentos nas negociações que culminaram no tarifaço sobre produtos brasileiros. Ele também destacou que o governo Lula está aberto a discutir todos os temas, como etanol, açúcar e fertilizantes.
O encontro marcado para a próxima semana foi agendado após uma conversa entre os presidentes Lula e Donald Trump, há cerca de duas semanas.
A reunião com Greer será virtual e está prevista para segunda-feira, às 14h30 (horário de Brasília). O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, também participará. A expectativa é que a conversa marque a retomada das negociações, paralisadas desde 14 de julho, quando foi aplicado o tarifaço sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, com taxas de 25% e 12,5%.
— Vai ser um diálogo difícil, porque já foi no passado difícil, mas nós sabemos qual o caminho a percorrer — disse o ministro, acrescentando:
— O presidente Lula diz o seguinte: "Não há nenhum tema que o Brasil não possa discutir. Não há proibição para nenhum tema, não há interdição para nenhum tema. Mas há a premissa, o interesse do povo brasileiro", afirmou, após receber a delegação da Confederação da Indústria Indiana.
Ele explicou que, como em toda negociação, os dois lados precisam dialogar para chegar a um acordo.
Entenda:
— Imaginem vocês como seria um acordo envolvendo o setor produtivo brasileiro e dos Estados Unidos. Alguém vai falar de bens, máquinas, bens industriais, o outro vai falar do setor químico, autopeças, não é? E o etanol, o açúcar, os defensivos e os fertilizantes? Ou seja, o hall de tópicos é interminável. Ou você entra na regra do jogo ou não vai ficar pronto nunca — disse o ministro.
Márcio Elias descartou que a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, que está em processo no Brasil, será tema da reunião.
Análise:
— Na segunda-feira, nós não vamos tratar disso, vamos retomar o diálogo. Depois, definiremos qual o caminho que iremos percorrer. A discussão será sobre um acordo, por setores e listas de exceções.
Segundo o Ministério, 8,6 mil empresas estão sujeitas ao tarifaço. O levantamento aponta que 52,7% da pauta exportadora para os Estados Unidos não enfrentam imposição de sobretaxa, enquanto 47,3% estão sujeitas a alguma tarifa.
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