Finanças
BRB autoriza ações contra ex-funcionários envolvidos no caso Master
Banco de Brasília poderá ajuizar processos pedindo a responsabilização de ex-administradores
Os acionistas do Banco de Brasília (BRB), estatal de capital aberto controlada pelo governo do Distrito Federal, aprovaram nesta segunda-feira uma autorização para que a instituição financeira ingresse com ações na Justiça pedindo a responsabilização de ex-administradores que venham a ser identificados como responsáveis por prejuízos causados em operações relacionadas ao Master e a gestora Reag, ambos liquidados pelo Banco Central.
A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária. De acordo com o banco, a decisão não representa definição prévia de responsabilização de pessoas específicas e a deliberação durante a AGE é um rito procedimental essencial para que sejam continuadas as apurações de responsabilidade por parte da Polícia Federal e demais órgãos investigativos.
“A medida reforça o compromisso do BRB com a transparência, a governança e a defesa dos interesses dos acionistas, visando ao eventual ressarcimento de danos ao patrimônio da Instituição”, disse a instituição financeira em nota.
O BRB disse ainda que todas as deliberações relacionadas aos investimentos de seu portfólio “observam critérios técnicos, regulatórios e de proteção ao interesse de seus acionistas e stakeholders, sempre em conformidade com as normas aplicáveis ao mercado de capitais".
Na semana passada, a Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal mais 60 dias para concluir a investigação sobre as operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília. O pedido chegou ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso, e a expectativa é que ele autorize a extensão.
O caso envolve a atuação do BRB na tentativa de compra do Banco Master e na aquisição de carteiras de crédito da instituição de Daniel Vorcaro. Ao solicitar mais prazo, a PF diz ter encontrado suspeitas sobre mais diretores do BRB no inquérito que investiga a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Os investigadores pretendem ouvir integrantes da diretoria que participaram da aprovação de operações financeiras com o Master.
O inquérito foi aberto a partir de documentos enviados pelo Banco Central, e já resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A PF aponta indícios de uma operação financeira de R$ 12,2 bilhões arquitetada pelo banco público e o Master por “pura camaradagem” como “tentativa de abafar a fiscalização” feita pelo Banco Central. O executivo é suspeito de ter participado de um suposto esquema "esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos" no escândalo do Banco Master. Ele nega qualquer irregularidade.
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