Finanças

Ministro da Fazenda fala em 'apertar' o arcabouço fiscal para ajudar política monetária

Durigan destaca importância da colaboração entre políticas fiscal e monetária em meio a desafios globais.

Agência O Globo - 21/08/2026
Ministro da Fazenda fala em 'apertar' o arcabouço fiscal para ajudar política monetária
O ministro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Durigan, afirmou nesta sexta-feira que o governo federal seguirá "apertando o arcabouço fiscal". Segundo ele, essa é uma forma de auxiliar o Banco Central na política de juros.

– Vamos seguir apertando o arcabouço fiscal para que a gente tenha um resultado cada vez melhor do ponto de vista fiscal. É trabalho do ministro da Fazenda colaborar com a política monetária, fazendo o seu papel do lado da política fiscal – disse Durigan, em entrevista à GloboNews.

Como O GLOBO mostrou, o ministro tem intensificado as reuniões com o mercado financeiro, economistas e formadores de opinião, enfatizando a sinalização de que o governo pretende ter maior contenção fiscal, especialmente em caso de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Escolhido pelo Palácio do Planalto como interlocutor econômico da campanha à reeleição de Lula, Durigan tem rebatido, em alguns encontros, a tese de que o país está à beira de um colapso fiscal, embora reconheça a necessidade de adotar medidas para controlar, sobretudo, o crescimento das despesas obrigatórias.

Nas primeiras reuniões com investidores, o ministro da Fazenda indicou a intenção de reduzir o limite de aumento anual de despesas do arcabouço fiscal, atualmente em 2,5%, para algo próximo de 1,5% – sempre acima da inflação.

Mais cedo, Durigan afirmou que a alta de preços no país, que preocupa o Banco Central, decorre dos impactos da guerra no Oriente Médio, e não apenas da política fiscal do governo federal. Segundo ele, o conflito influencia diretamente os preços dos combustíveis e restringe a produção de fertilizantes no mundo, o que gera um problema de abastecimento para o produtor agrícola brasileiro.

– Quando o Banco Central brasileiro diz que está preocupado com o preço, com inflação, não é só com a condução fiscal do país, é com a guerra no mundo. Porque não é só o Banco Central brasileiro, os bancos centrais do mundo todo monitoram a guerra, observam o impacto sobre os preços de oferta e dizem: opa, eu vou precisar aumentar os juros para controlar a inflação – afirmou, em entrevista à Rádio Metrópole Salvador, acrescentando:

– Então minha pergunta é: não é o governo que gasta, é a guerra feita pelo governo dos Estados Unidos no Irã, apoiada pelo bolsonarismo, que está trazendo aumento de preço no país.

O BC usa a taxa básica de juros (Selic) para controlar a inflação e colocá-la na meta, hoje de 3% ao ano. Em sua última ata, o Comitê de Política Monetária (Copom) disse que a inflação ainda está pressionada pela demanda, ou seja, pela economia aquecida. É isso que, na visão do BC, justifica a necessidade de manter os juros bastante elevados, atualmente em 14%.

O BC também já expressou preocupação com as políticas do governo que estimulam o consumo. Quanto à guerra, o Copom afirmou que é necessário monitorar se os impactos imediatos sobre os preços, como combustíveis, vão se disseminar para outros itens.