Finanças
Banco Central publica ata do Copom que reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano
Com a queda, juros básicos estão no menor patamar desde março de 2025
O Banco Central publicou nesta terça-feira a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada, que baixou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual pela quarta vez consecutiva, ganhando os juros básicos de 14,25% para 14% ao ano. No documento, o BC costuma detalhar a decisão e atualizar suas considerações sobre o cenário econômico. Com a queda da semana passada, a Selic alcançou taxa menor desde o início de 2025.
Como vem fazendo ao longo do processo atual de queda dos juros, o BC não deu sinalização sobre seus planos para as próximas reuniões no comunicado publicado para divulgar o corte para 14%. Em um ambiente bastante volátil e incerto, com guerra no Oriente Médio, eleições no Brasil e riscos decorrentes do El Niño, a estratégia do comitê para liderar a política monetária com “serenidade e cautela” tem sido aguardar a evolução dos dados até a reunião para tomar qualquer decisão.
“Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de deficiência será estabelecida à luz de novas informações destinadas a garantir a convergência da inflação para o meta”, disse o BC na quarta-feira passada.
Por outro lado, o Copom alterou marginalmente sua avaliação sobre a atividade econômica e a inflação, após resultados mais detalhados de índices recentes, assim como suas declarações sobre o desvio das expectativas inflacionárias em relação à meta de 3% - algo que se aprofundou nos últimos meses, principalmente em prazos mais longos, como 2028. Mas, como o comunicado foi mais sucinto, não deu muitos detalhes. Depois do comunicado, a maior parte do mercado financeiro ficou dividida entre mais um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75%, ou manutenção em 14%.
No documento, o BC apresentou, de maneira tímida, uma melhora marginal em alguns indicadores, como o IPCA - indicador oficial de inflação - de junho (0,16%) e o IPCA-15 de julho (0,06%), que apresentaram surpresas avançadas, sobretudo nos índices subjacentes, que indicam uma tendência de inflação. A geração de vagas formais de emprego, segundo o Novo Caged, também deu mais confiança aos analistas econômicos sobre a desaceleração no mercado de trabalho.
"O conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamares atingidos abaixo do limite superior da meta", disse o BC, no comunicado.
O colegiado, comandado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, ainda disse que os indicadores correntes de atividade se mantêm consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. Por outro lado, destacou que “monitora com atenção” a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos, “na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação”.
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