Finanças

Novo recorde: percentual de brasileiros endividados atinge 82% em julho

Estudo da CNC mostra que quase 20% das famílias têm mais da metade da renda comprometida com dívidas, maior nível desde março. Inadimplência tem leve recuo.

Agência O Globo - 06/08/2026
Novo recorde: percentual de brasileiros endividados atinge 82% em julho

O percentual de famílias brasileiras individualizadas cresceu, alcançando 82% em julho de 2026, um novo recorde, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgados nesta quinta-feira (dia 6).

Esse resultado representa um avanço de 0,4 ponto percentual em relação a junho (81,6%) e de 3,5 pontos na comparação com julho de 2025 (78,5%).

Os dados mostram que o programa Desenrola Adimplentes , voltado para pessoas sem carteira assinada que estão individualizadas, mas não possuem dívidas em atraso, não surtiu efeito no primeiro mês de vigência, iniciado em 29 de junho.

O vilão do endividamento continua sendo o cartão de crédito . Um total de 85% das famílias individualizadas têm dívidas nessa modalidade. Em seguida vêm os carnês: 16% dos individualizados recorrem a essa opção de crédito.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC revela ainda o aumento da parcela de consumidores com alto comprometimento financeiro. O percentual de famílias que têm mais de metade de seus rendimentos mensais comprometidos com o pagamento de dívidas subiu para 19% em julho, atingindo o maior nível desde março deste ano.

Em média, os consumidores individuais estão comprometendo 29,5% de sua renda mensal para honrar compromissos com credores. Essa proporção praticamente não sofreu mudanças nos últimos 12 meses.

Os números indicam, porém, que a inadimplência teve um leve retrocesso. Os táxons caíram de 29,9% em junho para 29,8% em julho, um nível inferior também ao registrado no mesmo período do ano anterior (30%).

A CNC atribui essa leve melhoria ao Desenrola Brasil 2.0 , disponibilizada em 5 de maio, com foco na regularização das dívidas em atraso.

"Vemos sinais positivos de resiliência, seja pelo pagamento das dívidas com o programa Desenrola, seja pela recuperação dos rendimentos e aumento da ocupação; no entanto, os números indicam que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador e, consequentemente, estimulem uma melhoria do setor produtivo", afirma José Roberto Tadros , presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, em comunicado.