Finanças

Caged: Brasil cria 145.161 vagas com carteira assinada em junho

No acumulado do primeiro semestre, foram abertas 921.645 novos postos de trabalho, pior resultado desde a pandemia

Agência O Globo - 29/07/2026
Caged: Brasil cria 145.161 vagas com carteira assinada em junho
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Em junho, o Brasil registrou a criação de 145.161 vagas com carteira assinada , segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira (dia 29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Com isso, no acumulado do primeiro semestre, foram abertos 921.645 novos postos de trabalho , o pior resultado para o período desde 2020, quando o saldo ficou negativo em 1.398.484 .

No primeiro semestre de 2025, o saldo havia sido de 1.229.107 vagas . Nos últimos 12 meses, o saldo acumulado é de 963.921 empregos criados .

O resultado de junho também é o pior para o mês desde 2020, durante a pandemia. No mês passado, foram 2.220.131 admissões e 2.074.970 desligamentos registrados, o que representa uma desaceleração em relação a junho do ano passado, quando foram abertas 161.999 vagas formais .

O setor de serviços foi responsável pela maior parte dos empregos gerados no ano, totalizando 571,9 mil entre janeiro e junho.

A agropecuária, por sua vez, foi o setor com menor saldo no primeiro semestre, com a criação de 40,8 mil vagas . Em seguida, a indústria gerou 143,4 mil empregos , e a construção, 168,9 mil .

Durante a apresentação dos dados do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho afirmou que o resultado do primeiro semestre é positivo, considerando a desaceleração da economia com alta dos juros, taxas do governo de Trump e impactos da guerra no Oriente Médio.

— Acredito que a geração de emprego vai continuar se comportando de forma disciplinada, crescendo um pouco. O número de julho de 2026, em comparação ao de 2025, não deve apresentar grandes diferenças. Continuaremos a crescer, mas a uma velocidade menor do que em 2023, 2024 e 2025 — disse.

Regionalmente, 26 das 27 unidades da federação tiveram saldo positivo de empregos formais no mês. Apenas Alagoas registrou uma retração de 8,2 mil vagas . São Paulo liderou a geração de empregos, com 252,6 mil novos postos , seguidos por Minas Gerais (+109 mil) e Paraná (+69,6 mil).

O salário médio de admissão ficou em R$ 2.507,07 em junho, com alta de 0,1% em relação a maio e de 0,58% desde janeiro.

O economista da XP, Rodolfo Margato , afirma que a desaceleração da demanda e as restrições de oferta em alguns setores devem resultar em crescimento moderado do emprego nos próximos trimestres. Ele estima que o PIB total crescerá, em média, apenas 0,2% neste e no próximo trimestre, após crescimento médio de 0,8% nos dois primeiros trimestres.

— Além disso, os setores como construção civil, serviços de alimentação e hospedagem, e serviços domésticos estão entre os mais afetados pela escassez de mão de obra. Além disso, as incertezas quanto à condução da política econômica a partir de 2027 e eventuais mudanças na jornada de trabalho 6x1 podem levar as empresas a adotarem maior cautela, postergando decisões de investimento e novas contratações — acrescentou.

Para Margato, existem sinais de desaceleração, e não de contração, no mercado de trabalho. Sua projeção é que o ritmo médio de criação de empregos formais arrefecerá de aproximadamente 110 mil por mês em 2025 para 80 mil por mês em 2026 .

— O amplo conjunto de medidas governamentais de estímulo contribui para sustentar a demanda no curto prazo, levando a uma desaceleração gradual do crescimento econômico e dos indicadores do mercado de trabalho em meio à política monetária contracionista.