Finanças

Rota das Lavandas se torna atração no Paraná com fila de produtores interessados

Treze produtores estão ativos no projeto; outros 20 aguardam para participar.

Agência O Globo - 28/07/2026
Rota das Lavandas se torna atração no Paraná com fila de produtores interessados
Rota das Lavandas se torna atração no Paraná com fila de produtores interessados - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Inspirado nas belas paisagens dos campos de lavanda da região da Provença, na França, o cultivo da planta com foco no turismo rural ganha espaço por aqui. No Paraná, a Rota das Lavandas foi lançada em 2022 e, desde então, o projeto passou de cinco para 13 áreas de cultivo. Nos três primeiros anos, a rota recebeu 255,9 mil visitantes, gerou renda para os agricultores e movimentou a economia local. Além disso, há um total de 20 outros produtores interessados em fazer parte da rota.

De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná), órgão da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado que coordena o projeto, a Rota das Lavandas gerou uma renda bruta de R$ 13,2 milhões aos empreendedores desde sua criação.

— Temos uma fila de espera de 20 produtores para entrar na rota. Eles estão em fase de testes com variedades de lavanda no campo e se organizando para atender o turista — afirma Laís Adamuchio de Oliveira, assessora estadual de projetos do IDR-Paraná.

A iniciativa é parte do programa de turismo rural do IDR. — O diferencial da proposta é que a atividade pode ser implantada em pequenas áreas e gerar grande rentabilidade — destaca.

Ela afirma que, nas propriedades que integram o projeto, a maior parte dos campos de lavanda não chega a 1 hectare, e a geração de renda é obtida com o valor do ingresso do visitante, a venda de produtos e de experiências, como piqueniques em meio à plantação e ensaios fotográficos.

Como as áreas são pequenas, nessas propriedades não há cultivo comercial da lavanda para extração do óleo essencial, utilizado na indústria de perfumes.

O perfil dos empreendimentos demonstra que o negócio exige mais do que a implantação do campo florido e a estruturação da propriedade para o turismo rural. Segundo a representante do IDR, os produtores também têm dado consultoria sobre a atividade a outros interessados.

O “efeito lavanda” é o caso do produtor Jacir Wiezbicki, proprietário do Recanto das Lavandas, em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. Para ampliar a geração de renda, ele lançou neste ano um workshop sobre o cultivo da planta e a fabricação de produtos à base de lavanda.

Em sua propriedade, a área plantada com lavandas é de cerca de 5 mil metros quadrados — ou meio hectare. O negócio familiar, que começou em 2020, oferece visita guiada, piqueniques e ensaios fotográficos no lavandário, além de restaurante rural, café e cervejaria, onde o turista pode até experimentar chope de lavanda.

O Recanto das Lavandas recebe 1 mil visitantes por mês, segundo Wiezbicki, que ainda considera baixo o retorno do investimento: “Espero que melhore”, diz.

A produtora Dóren de Andrade Faria, de Londrina, no norte do Paraná, também ministra cursos e workshops sobre como cultivar lavanda e transformar isso em um negócio. O foco é o turismo rural, a comercialização das flores e o mercado de óleo essencial, informa ela, que opera o Santa Lavanda com o marido Marcos Paulo Romani.

— É uma ótima opção para o produtor, pois possibilita agregar valor com múltiplas fontes de renda — afirma.

O proprietário do lavandário Het Dorp Vilarejo Holandês, Lucas Los, foi um dos primeiros a integrar a Rota das Lavandas. Ele mantém o maior campo de lavanda do Estado, com 1,5 hectare, na cidade de Carambeí, na região dos Campos Gerais.

Entre 2022 e 2025, o número de visitantes na propriedade dobrou, alcançando 50 mil. No entanto, neste ano, há um recuo de cerca de 20% na venda dos ingressos.

— Os outros empreendimentos da rota também tiveram essa queda. Estamos avaliando em conjunto se o clima, com aumento do frio, pode estar interferindo — diz.

Além da plantação das flores, o Het Dorp Vilarejo Holandês abriga um Museu da Lavanda, café e queijaria. O visitante pode provar queijo com lavanda e soda italiana com lavanda.

— As pessoas buscam o turismo rural com foco em experiências, por isso estamos sempre lançando novidades — afirma Lucas Los.

Apesar da inspiração francesa, os campos de lavanda no Brasil são formados, na maioria, pela lavanda dentata, que se adapta melhor ao país. Na França, o cultivo predominante é da lavanda angustifolia, que tem cor mais azulada e que produz o óleo valorizado na indústria da perfumaria.

Por ser pouco expressiva, não há dados precisos sobre a produção de lavanda no Brasil, conforme o IDR. Além do Paraná, há produtores em São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais. A Associação dos Produtores de Lavanda e a prefeitura de Morro Reuter (RS) lançaram, em outubro de 2025, a Rota da Lavanda. O Lavandário, em Cunha (SP), é o mais antigo e um dos maiores empreendimentos do país.