Finanças
Lula comenta nas redes sociais sobre tarifa de Trump: ‘Apontamos que não há justificativa para as tarifas anunciadas’
Pix e etanol, alvo de críticas dos Estados Unidos, foram temas inegociáveis para governo brasileiro
O presidente Luiz Inácio da Silva afirmou nesta quinta-feira que não há justificativa para o governo dos Estados Unidos aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A manifestação foi feita em uma publicação nas redes sociais, na qual o petista compartilha declaração feita mais cedo pelo ministro das Relações Exteriores, na qual ele rebate falas do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Tarifaço dos EUA terá mais de 2 mil exceções:
Por que o Pix incomoda tanto os EUA?
“Desde o primeiro momento, buscamos o diálogo e enfatizamos nossa disposição de negociar. Apontamos que não há justificativa para as tarifas anunciadas. Não vamos abrir mão de defender o nosso Pix, a nossa soberania e os produtores brasileiros”, escreveu o presidente da República na publicação.
Essa é a manifestação mais direta de Lula sobre as tarifas aplicadas. Também nas redes, o presidente compartilhou uma imagem em que sua mão aparece repousando em uma bandeira do Brasil. “O Brasil não vacilará no dever de defender e preservar nossa soberania”, escreveu na legenda.
Em cinco pontos:
Na madrugada, o governo brasileiro divulgou nota repudiando a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Na nota, o Palácio do Planalto disse que "repudia" a taxa, afirmou que irá acionar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e criticou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
À tarde, ministros de Lula, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, concederam entrevista coletiva para pontuar a decisão dos Estados Unidos.
Análise:
De acordo com dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com essa nova tarifa, cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA serão atingidas. Isso equivale a US$ 7,4 bilhões, considerando o ano de 2024. Se considerar o valor de 2025, a participação desses setores atingidos pelo tarifaço cai para 15%, ou US$ 5,8 bilhões. O Executivo prepara um programa para socorrer os setores afetados.
Alerta:
Como o GLOBO mostrou, o Planalto tem calibrado eventuais manifestações públicas do presidente em reação ao tarifaço devido à preocupação com o período de defeso eleitoral, que limita manifestações e publicidades durante a campanha. Auxiliares próximos do presidente temem que qualquer fala de Lula ou mesmo de ministros que seja fora do tom possa ser interpretada como ato eleitoral e motive ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, em última instância, possam levar à impugnação da candidatura do presidente à reeleição.
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