Finanças
Setores afetados por tarifaço, como calçados e roupas, temem impacto na produção e no emprego
Entidades alertam para perda de competitividade, redução das exportações e riscos para investimentos e empregos; setores defendem solução negociada entre Brasil e EUA
A decisão dos Estados Unidos de manter uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras provocou ocorrência de entidades que representam alguns dos principais setores afetados pela medida. Sem terem sido incluídos na lista de propostas anunciadas pelo governo americano, segmentos como calçados, vestuário, máquinas, etanol e parte da indústria de base florestal alertam para perda de competitividade, redução das exportações e riscos para investimentos e investimentos, além de defenderem uma solução negociada entre os dois países.
O setor de vestuário e calçados também ficou fora das discussões e deve ser taxado a partir do dia 22 .
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção ( Abit ) disse, em comunicado, que medidas dessa natureza aumentam a insegurança no comércio internacional, controlam a competitividade das empresas e geram impactos sobre investimentos, produção, emprego e integração das cadeias produtivas. A entidade também defendeu que o Brasil continue avançando na agenda de competitividade, ampliação de mercados, diversificação das exportações e fortalecimento de sua base industrial.
Já a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados ( Abicalçados ) espera que, com as tarifas, as exportações do setor para os EUA tenham uma queda em torno de 7,1% no fim do ano.
“A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40% , em fevereiro deste ano. Trata-se de uma medida que penaliza não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, comerciantes e consumidores norte-americanos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países”, disse o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira .
A Abimaq, que representa fabricantes de máquinas e equipamentos, também manifestou profunda preocupação com a tributação. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações do setor, que alcançaram US$ 3,2 bilhões no ano passado.
Nesse contexto, o aumento das tarifas tende a aumentar custos, reduzir a competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas instaladas nos dois países, produzindo efeitos que vão além da relação comercial bilateral, afirmou a entidade.
No setor de árvores cultivadas, a Indústria Brasileira de Árvores ( Ibá ) destacou que a decisão dos Estados Unidos preservou alguns dos principais exportados pelo segmento, como a celulose de fibra curta, a celulose de fibra longa, a celulose fluff e os compensados, que incluem na lista de abordagens da sobretaxa. A entidade, no entanto, manifestou preocupação com a incidência da tarifa adicional de 25% sobre produtos como celulose solúvel, papéis, painéis de madeira, MDF, MDP e pisos laminados, classificados como segmentos competitivos e integrados às cadeias industriais dos dois países.
Em nota, a Ibá destacou que as exportações brasileiras do setor para os Estados Unidos já vinham perdendo força antes mesmo da implementação da medida. No primeiro semestre deste ano, os embarques de papel caíram 48,5% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as vendas de painéis de madeira recuaram 50,3% , as de madeira serrada diminuíram 36,6% e as de madeira compensada, 25,3% . A entidade defendeu a manutenção do diálogo entre Brasil e Estados Unidos para preservar a previsibilidade da relação comercial e buscar soluções para mitigar os impactos das novas tarifas.
O setor sucroenergético também criticou a decisão americana. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia ( Unica ) lamentou a decisão dos Estados Unidos de importar tarifas adicionais sobre o etanol brasileiro e afirmou que a política brasileira para o combustível está em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio ( OMC ). A entidade ressaltou que não há acordo bilateral que obriga o Brasil a conceder tratamento tarifário diferenciado ao etanol americano.
Em nota, a Unica também contestou a justificativa apresentada pelos EUA, afirmando que a redução das exportações americanas para o mercado brasileiro decorre, sobretudo, da expansão da produção nacional — especialmente de etanol de milho — e não de mudanças na política tarifária do país. A entidade destacou ainda que o RenovaBio, política brasileira de incentivo aos biocombustíveis que estabelece metas de descarbonização e prevê tratamento não discriminatório para produtores nacionais e estrangeiros, assegura igualdade de condições também aos produtores americanos. Por fim, defendeu que as negociações avançam por meio do diálogo e do respeito às regras do comércio internacional.
Mais lidas
-
1A CONTA NÃO FECHA
Pastor em Delmiro, salário em Maceió: folha aponta jornada de 40 horas a 290 km de distância na prefeitura de JHC/Cunha
-
2RODOVIAS
Obras da ponte entre Penedo (AL) e Neópolis (SE) avançam e ultrapassam 60% de execução
-
3SEGURANÇA PÚBLICA
Homem apontado como integrante de 'Equipe Caos' do CV no Morro do Fubá morre em confronto com PMs
-
4DESASTRE CLIMÁTICO.
Poderoso furacão Polo castiga a costa do México enquanto Nolo se dirige para o Havaí.
-
5
Vereadora eleita no Maranhão faz sexo dentro do Cartório