Finanças
Tarifaço dos EUA deixa 62% das exportações brasileiras fora da taxa de 25%, estima consultoria
Na lista original do USTR, as isenções abarcavam 56,3% dos produtos vendidos aos americanos
Os Estados Unidos deixaram 62% das exportações brasileiras ao país de fora da taxa de 25%, segundo cálculo do economista João Carmo, da 4Intelligence. Essa parcela de exceções é maior do que a recomendação inicial do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), realizada ao final da investigação sobre práticas supostamente “desleais” do Brasil que prejudicam o comércio americano. De acordo com Carmo, a princípio, a lista de exceções abarcava 56,3% da pauta exportadora brasileira para os EUA. A conta considera o comércio entre os países em 2025.
Em valores, ficaram isentos da taxa de 25% US$ 23,3 bilhões dos US$ 37,7 bilhões vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos no ano passado, conforme os cálculos do economista da 4Intelligence. O novo tarifaço foi confirmado na noite desta quarta-feira (dia 15) e começa a valer no dia 22 de julho. Em entrevista reservada a jornalistas antes da publicação da medida, um alto funcionário da Casa Branca afirmou que o governo americano segue negociando com o Brasil.
De fora
A decisão deixou de fora produtos importantes da pauta de exportações brasileiras para os EUA, como laranja, suco de laranja, carne, café, petróleo e gás, além de peças e componentes aeroespaciais. O maior beneficiado pelas isenções entre a lista sugerida originalmente e a aplicação final foi o ferro fundido, aponta Carmo. Os pescados, como lagosta, tilápias e outros peixes, também não serão mais alcançados pela taxação de 25%.
A ampliação dos produtos que não serão afetados pelo tarifaço reforça a análise de que a decisão do governo Donald Trump terá baixo impacto macroeconômico para a economia brasileira.
— A expectativa ainda é de impacto baixo sobre a balança comercial, mas de impacto importante para alguns setores como máquinas e equipamentos, e agroindústria.
Consultoria
A consultoria Buysidebrazil destaca que a decisão dos EUA não substitui a taxa universal, adotada em fevereiro, após a Suprema Corte dos Estados Unidos vetar o tarifaço baseado em leis de emergência. Além disso, o USTR manteve a exclusão dos produtos já abrangidos pela Seção 232, incluindo aço, alumínio, cobre, veículos, autopeças e demais produtos sujeitos às tarifas setoriais atualmente em vigor.
Considerando isso, a consultoria calcula que somente 31% da pauta fique sujeita ao impacto adicional de 25%. A estimativa é de que a tarifa ponderada incidente sobre a pauta exportadora brasileira destinada aos EUA chegue a cerca de 24,1%.
A sócia-fundadora da Buyside, Andrea Damico, destaca que foram incorporadas à lista final isenções relevantes, de setores que têm bastante exposição ao mercado americano, com destaque para o ferro gusa.
— O impacto não é relevante do ponto de vista macro, do ponto de vista de exportações, atividade e inflação. Mas tem impactos setoriais importantes, principalmente em manufaturados — disse, citando que esse segmento tem dificuldade de diversificar parceiros comerciais.
A decisão da administração Trump foi tomada após a investigação da Seção 301 pelo USTR. A investigação tratava de acusações sobre supostas práticas desleais de comércio e apurava se ações do Brasil, como o uso do Pix, o desmatamento ilegal e a dificuldade dos EUA em ter acesso ao mercado de etanol brasileiro, prejudicariam as empresas americanas.
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