Finanças

Lula avalia tarifaço dos EUA como cenário mais provável, mas aposta em negociações até o último dia

Lula se reuniu com auxiliares nesta sexta-feira no Palácio do Planalto e pediu que as negociações sejam mantidas até o último dia

Agência O Globo - 10/07/2026
Lula avalia tarifaço dos EUA como cenário mais provável, mas aposta em negociações até o último dia
Lula - Foto: © ANSA/EPA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o cenário mais provável é que os Estados Unidos decidam pela tarifaço aos produtos brasileiros na próxima quarta-feira, dia 15, prazo máximo para o governo americano chancelar ou não a sanção econômica de 25% sobre as importações do Brasil. Lula se reuniu com auxiliares nesta sexta-feira no Palácio do Planalto e pediu que as negociações sejam mantidas até o último dia.

Em reunião com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, Lula avaliou o cenário e considerou que o caminho mais provável é que haja o tarifaço. O presidente mantém a postura de que as tarifas são injustas e injustificáveis, afirmando que a obrigação do governo é manter a negociação com os EUA até o último momento.

Também se discutiu a possibilidade de mais uma reunião com Jamieson Greer, Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), até a quarta-feira, embora o encontro ainda não esteja marcado. A avaliação é de que a sanção afeta setores inteiros da economia brasileira e que o Brasil não fará nenhuma concessão, incluindo as que envolvem o Pix.

Desde a reunião de Lula com Donald Trump na Casa Branca em maio, quando se tratou do tarifaço, o governo brasileiro se reuniu quatro vezes com Greer. O governo também espera que, caso a decisão final seja pelo tarifaço, os EUA apresentem um preview dos itens que serão tarifados antes do comunicado oficial.

A estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil aos EUA podem ser afetados pelo tarifaço, entre os quais se encontram: açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.

A partir da decisão do governo americano na quarta-feira, o Palácio do Planalto vai calibrar uma resposta e iniciar a discussão sobre a reação. A possibilidade de reciprocidade no tarifaço ainda não foi discutida em detalhes, pois o governo considera imprevisível a lista de produtos que sofrerá as sanções. Auxiliares de Lula explicam que é fundamental aguardar a decisão dos EUA para avaliar item a item que será afetado pela tarifa, e assim, planejar a reação do governo brasileiro.

O tarifaço foi sugerido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial do país, que classificou uma série de atos, políticas e práticas brasileiras como irracionais ou capazes de restringir o comércio norte-americano. A investigação foi aberta em julho de 2025 a pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento já utilizado em disputas comerciais contra a China.

Entre os principais pontos levantados pelos americanos está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. Segundo o relatório, o Banco Central do Brasil atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema, criando vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital.

Os EUA também questionam decisões de tribunais brasileiros envolvendo plataformas digitais, alegando que as autoridades judiciais emitiram ordens sigilosas para remoção de conteúdos políticos e suspensão de perfis em redes sociais, inclusive de residentes nos Estados Unidos.