Finanças
Planos de saúde coletivos têm reajuste médio de 9,9%, aponta ANS
Variação é a menor em cinco anos, mas supera inflação; faixa de reajuste foi antecipada pelo GLOBO
Os planos de saúde coletivos registraram reajuste anual médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026. Embora essa variação seja a menor em cinco anos, ela representa mais que o dobro da inflação oficial do período. Em abril, o GLOBO já havia antecipado que os aumentos para esse segmento ficariam entre 9% e 10%.
Contaminação:
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Os dados referem-se aos reajustes anuais aplicados pelas operadoras nos dois primeiros meses do ano, divulgados na última sexta-feira pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão regulador do setor.
A última vez em que os planos coletivos — contratados por empresas, empresários individuais e associações de classe — tiveram reajuste médio inferior foi em 2021, quando subiram 6,43%. Naquele ano, marcado pela pandemia de Covid-19, o isolamento social reduziu a realização de consultas, exames e cirurgias eletivas, impactando os custos do setor.
Acima da inflação
Para efeito de comparação, em fevereiro de 2026, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 3,81% no mesmo período. A ANS ressalta que não é adequado comparar diretamente a inflação com o reajuste dos planos, devido às diferenças nos critérios de cálculo.
Diferentemente dos planos de saúde individuais ou familiares — contratos feitos diretamente com as operadoras para o titular e seus dependentes —, os reajustes dos planos coletivos são definidos por meio de negociação entre a pessoa jurídica contratante e a operadora ou administradora do plano.
Cobrança diferenciada
Para os coletivos com menos de 30 beneficiários, o reajuste segue o mesmo índice aplicado ao grupo de contratos da operadora. Assim, a ANS consegue monitorar o reajuste médio, segmentando os planos por porte.
Nos dois primeiros meses de 2026, os planos com 30 ou mais vidas, como define o setor, tiveram aumento médio de 8,71%. Já aqueles com até 29 clientes sofreram reajuste médio de 13,48%. Segundo a ANS, 77% dos beneficiários estão em planos com 30 ou mais vidas.
No caso dos planos individuais, é a própria ANS quem define o percentual de reajuste anual.
Decisão e números do setor
Dados mais recentes da ANS, referentes a março deste ano, mostram que o Brasil contava com 53 milhões de vínculos em planos de saúde (uma pessoa pode ter mais de um contrato), um crescimento de 906 mil em relação ao ano anterior. De cada 100 clientes, 84 pertencem a planos coletivos.
Em 2025, ainda segundo a ANS, o setor de saúde suplementar registrou receitas totais de R$ 391,6 bilhões, com lucro líquido acumulado de R$ 24,4 bilhões — o maior já registrado. Isso significa que, para cada R$ 100 recebidos, o setor obteve cerca de R$ 6,20 de lucro.
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