Finanças
Entidades lançam manifesto contra manobras para manter supersalários após decisão do STF
Grupo de oito organizações critica ausência do Executivo no debate sobre pagamentos acima do teto constitucional
Oito entidades da sociedade civil divulgaram nesta sexta-feira (8) um manifesto criticando manobras de órgãos públicos para manter pagamentos acima do teto constitucional, mesmo após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a coalizão, formada por instituições como República.org, Transparência Internacional, Transparência Brasil e Fiquem Sabendo, “desde a tese de repercussão geral fixada pelo STF em 25 de março de 2026, observa-se novo impulso nesse processo, por meio da criação ou ampliação de verbas indenizatórias, da retirada de parcelas remuneratórias do alcance do teto e da ampliação da autonomia administrativa e orçamentária de determinadas carreiras”.
O documento aponta estratégias como a equiparação de magistrados a docentes e a concessão irrestrita de acúmulos. As entidades afirmam que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, foram pagos ao menos R$ 20 bilhões acima do teto constitucional. “As medidas recentes indicam risco de ampliação desse volume”, alertam.
O manifesto também critica a falta de empenho dos três poderes para combater os supersalários. “Soma-se a isso a ausência do Executivo no debate sobre contenção de pagamentos acima do teto constitucional”, destaca o texto.
Entre os episódios citados está uma medida da Advocacia-Geral da União que ampliava valores e hipóteses de reembolso no auxílio saúde, incluindo despesas como academia, práticas esportivas e fertilização in vitro. A medida foi suspensa antes de entrar em vigor, após repercussão negativa.
O Superior Tribunal Militar também é mencionado como exemplo de órgão que aprovou resoluções ampliando hipóteses de gratificação pelo exercício cumulativo de jurisdição e criando pagamentos adicionais para ministros militares ativos e inativos. Entre as mudanças, estão gratificações para atuação em tribunal de honra e em juiz de garantias, com pagamentos que podem chegar a R$ 15 mil mensais.
As entidades ressaltam que metade dos servidores públicos recebe salários de até R$ 6.189,00. “Portanto, é injustificável que categorias minoritárias extrapolem tetos e aprofundem o abismo da injustiça de renda”, afirmam.
A carta cobra avanços regulatórios e cita projetos de lei em discussão no Congresso Nacional para limitar verbas indenizatórias. Também aponta a necessidade de uma atuação coordenada dos Poderes para implementar mudanças efetivas.
O manifesto é assinado por: República.org, Movimento Pessoas à Frente, Transparência Internacional – Brasil, Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, Fiquem Sabendo, Transparência Brasil, CLP – Centro de Liderança Pública e Livres.
O tema tem sido discutido no STF nos últimos dias. O ministro Flávio Dino frisou que a vedação inclui todas as parcelas, remuneratórias ou indenizatórias, “inclusive que tenham sido implantadas após o julgamento” do STF, ocorrido em março, que limitou pagamentos a magistrados e integrantes do Ministério Público a até 35% acima do teto do funcionalismo público.
Os ministros destacaram que violações estão sujeitas a responsabilidade penal, civil e administrativa das autoridades envolvidas.
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