Finanças

Desigualdade de renda volta a crescer em 2025, aponta IBGE

Rendimento dos 10% mais pobres da população subiu 3,1% no ano passado, enquanto o dos 10% mais ricos cresceu 8,7%

Agência O Globo - 08/05/2026
Desigualdade de renda volta a crescer em 2025, aponta IBGE
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Após registrar o menor nível da série histórica em 2024, a desigualdade de renda voltou a crescer no Brasil em 2025. O aumento ocorreu porque a renda dos mais ricos avançou em ritmo mais acelerado do que a dos mais pobres entre 2024 e 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE , por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínuos (Pnad Contínua) de Rendimento de todas as fontes 2025.

De acordo com o levantamento, a renda dos 10% mais pobres da população teve alta de 3,1% no período, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu 8,7% — quase três vezes mais. Essa diferença impactou o índice de Gini da renda média domiciliar per capita, principal indicador de desigualdade do país, que subiu de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025.

O índice de Gini varia de zero a 1, sendo que quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade.

Em uma análise de longo prazo, a renda dos mais pobres ainda apresenta crescimento mais expressivo. Entre 2019 e 2025, a renda dos 10% mais pobres aumentou 78,7%, enquanto a dos 10% mais ricos subiu 11,9%.

Considerando o rendimento por pessoa, os dados de 2025 mostram que a renda dos 40% da população com menores rendimentos atingidos o maior valor da série histórica. Em relação a 2024, houve alta de 4,7%. Na comparação com 2019, o crescimento foi de 37,6% na média nacional.

Entre os fatores que explicam o avanço da renda nas faixas mais baixas estão o dinamismo do mercado de trabalho nos últimos anos e os reajustes do salário mínimo. No entanto, esse crescimento pode ter sido menor que o dos mais ricos entre 2024 e 2025 devido às altas taxas de juros, que aumentam o endividamento dos mais pobres, enquanto os mais ricos se beneficiam dos rendimentos de aplicações financeiras.