Finanças

Renda média no Brasil bate recorde e chega a R$ 2.264 em 2025

Rendimento per capita familiar atinge maior nível da série histórica, impulsionado por mercado de trabalho aquecido e desemprego em baixa recorde

Agência O Globo - 08/05/2026
Renda média no Brasil bate recorde e chega a R$ 2.264 em 2025
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A renda média per capita dos brasileiros alcançou, em 2025, o maior valor já registrado pelo IBGE: R$ 2.264 mensais. Embora ainda abaixo de dois salários mínimos, o resultado reflete um mercado de trabalho fortalecido, com desemprego nos menores níveis históricos e sucessivos recordes de rendimento ao longo do ano.

Distrito Federal lidera ranking de renda:

Dados do IBGE:

As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de Rendimento de todas as fontes 2025, divulgada nesta sexta-feira (7) pelo IBGE. O levantamento, iniciado em 2012, mostra que o crescimento da renda per capita foi de 6,9% em um ano — avanço superior ao observado entre 2012 e 2019, quando o aumento foi de 6,8%, passando de R$ 1.782 para R$ 1.904. Desde o início da série até 2025, o crescimento acumulado chega a 27%.

A renda per capita domiciliar considera todos os moradores do lar, inclusive aqueles sem rendimento. Por exemplo, em uma família composta por um pai, uma mãe e dois filhos pequenos, o valor é calculado para cada um dos quatro residentes.

Este indicador é amplamente utilizado para acompanhar o bem-estar da população. A pesquisa também aponta o rendimento médio apenas entre quem possui alguma fonte de renda, que atingiu R$ 3.367 em 2025.

Segundo Gustavo Fontes, analista da Pnad, outras fontes de renda também contribuem para o cenário — como benefícios de programas sociais do governo, fundamentais para a retomada do crescimento no pós-pandemia. No entanto, em 2025, o rendimento do trabalho foi o principal responsável pelo recorde da renda média.

“Há mais de um fator, mas o trabalho tem peso muito grande. Sabemos que há um número maior de pessoas com rendimento do trabalho do que de outras fontes”, explica Fontes.

No trimestre encerrado em dezembro, a taxa de desemprego atingiu 5,1%, o menor patamar já registrado. Em lares com mais pessoas trabalhando, a renda média por pessoa tende a ser maior.

Programas sociais perdem espaço na renda familiar

A pesquisa revela que o rendimento de todos os trabalhos respondeu por 75,1% da renda média per capita. Os demais 24,9% são distribuídos entre aposentadorias e pensões (16,4%), programas sociais do governo (3,5%), aluguel e arrendamento (2,1%), pensão alimentícia, doações e mesadas de não moradores (0,9%) e outros rendimentos (2,0%).

Enquanto a participação dos programas sociais na renda dos brasileiros diminuiu, a categoria “outros rendimentos” — que inclui ganhos de aplicações financeiras, seguro-desemprego, bolsas de estudo, entre outros — aumentou de 1,6% para 2,0%. Segundo o analista do IBGE, uma possível explicação é o impacto da taxa de juros elevada sobre os ganhos de investimentos.

A fatia de rendimentos provenientes de aluguel e arrendamento também cresceu de 2024 para 2025, passando de 1,9% para 2,1%. Esse aumento pode estar relacionado ao maior número de pessoas vivendo de aluguel, tendência confirmada por levantamentos recentes do IBGE.