Finanças

Desenrola 2.0: bancos vão perdoar dívidas de até R$ 100

Iniciativa será focada em inadimplência no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal

Agência O Globo - 04/05/2026
Desenrola 2.0: bancos vão perdoar dívidas de até R$ 100
Desenrola 2.0: bancos vão perdoar dívidas de até R$ 100 - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Os bancos que vão participar da nova edição do , anunciada oficialmente pelo governo nesta segunda-feira, terão que limpar o nome das pessoas com dívida de até R$ 100. Eles serão desnegativados, explicou o ministro da Fazenda, .

Inadimplência precoce:

Comida, aluguel, gasolina:

O mesmo terá que ser feito na relação com as pessoas que fazem a renegociação de dívida com os bancos. O prazo para a renegociação é de 90 dias.

O ministro orientou os clientes a procurarem os bancos onde têm contas. Serão pessoas beneficiadas com renda de até cinco intervalos mínimos.

De acordo com o programa, o desconto médio no valor total da dívida é de 65%, mas dependendo do atraso poderá chegar a 90%. O prazo de pagamento é de até 48 meses e a taxa de juros de 1,99% ao mês.

Poderão fazer parte da renegociação, dívidas no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). O teto da dívida a ser renegociada é de R$ 15 mil por pessoa.

Como funciona?

Crédito novo para pagar, com descontos, dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que sejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).

A renegociada terá:

Descontos entre 30 e 90%;

Taxa de juro máxima de 1,99% ao mês;

Até 48 meses de prazo;

Prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela;

Limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira;

Garantia do FGO.

Para entrarem no Desenrola, as pessoas deverão procurar os canais oficiais dos bancos.

Quem pode participar?

Brasileiros com renda até 5 períodos-mínimos (R$ 8.105).

Desconto aplicável

Contrapartidas

Para famílias:

Bloqueio de CPF em casas de apostas por 12 meses.

Para instituições financeiras:

Limpar o nome (desnegativar) de quem tem dívida de até R$ 100 e do crédito renegociado;

Destinar à educação financeira o equivalente a 1% do valor garantido pelo FGO;

Proibição de envio de recursos a casas de apostas via cartão de crédito, crédito parcelado, pix crédito e pix parcelado.

Como o FGO participará do Desenvolvimento?

O Fundo garantirá o crédito novo para que as famílias renegociem dívidas atrasadas e sejam utilizadas como fonte de recursos para o FGO:

Parcela do saldo já disponível (R$ 2 bi);

Novos transportes (autorização de transporte de até R$ 5 bilhões);

Utilização dos recursos não resgatados disponíveis na tesouraria do sistema financeiro (SVR), podendo mobilizar entre R$ 5 a R$ 8 bilhões.

Como o FGTS participará do Desenrola?

O Novo Desenrola traz como novidade a possibilidade de os trabalhadores usarem parcela da sua poupança no FGTS para reduzir seu individualização;

Ao entrar no Desenrola, o trabalhador poderá usar 20% do saldo da conta ou até R$ 1 mil, o que para maior, para pagar parcial ou integralmente dívidas;

A exigência de só poderem acessar o FGTS após renegociar a dívida no Programa protegido o trabalhador porque obriga a instituição a dar os descontos mínimos na dívida original;

A utilização do FGTS melhora a capacidade das famílias renegociarem suas dívidas;

Os valores resgatados poderão atingir o limite global de R$ 8,2 bilhões.

Consignado do INSS

O que mudará?

Acabam os 10% de margem exclusiva para cartão consignado e de benefícios (5% e 5%), e o limite de consignação total que antes era de 45% (5% do cartão de crédito, 5% do cartão de benefícios e 35% geral) passa a ser de 40%, limitando a participação do cartão consignado e de benefícios a no máximo 5% cada;

Ampliação do prazo da operação de 96 para 108 meses;

Fim da colocação à carência e permissão para que ela seja de até 90 dias;

Além da redução de 45% para 40%, haverá redução gradual da margem consignável de 2 pontos percentuais ao ano até atingir 30%.

Consignado do Servidor

O que mudará?

Acabam os 10% de margem exclusiva para cartão consignado, que é dívida cara, e o limite de consignação total que antes era de 45% (10% consignado do cartão e 35% geral) passa a ser de 40%, limitando a participação do cartão a no máximo 10%;

O prazo máximo da operação irá de 96 para 120 meses, diluindo o peso do pagamento da dívida no orçamento familiar do servidor;

Terá autorização de carência de até 120 dias;

Além da redução de 45% para 40%, haverá redução gradual da margem consignável de 2 pontos percentuais ao ano até atingir 30%.

Fies

Também há negociação para o Fies

Dívidas vencidas e não pagas há mais de 90 dias:

Se o pagamento à vista, desconto da totalidade dos juros e multas e de 12% do principal

Se parcelar o pagamento (em até 150 vezes): desconto da totalidade dos juros e multas

Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 ​​dias de estudantes fora do CadÚnico: desconto de até 77% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor.

Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 ​​dias de estudantes do CadÚnico: desconto de até 99% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor.

Mais de um milhão de estudantes serão beneficiados com a renegociação de suas dívidas.

Para empresas

Microempresas (Procred/FGO):

As mudanças para as microempresas, que têm faturamento anual de até R$ 360 mil, serão:

A carência irá de no máximo 12 para 24 meses. É mais fôlego ao microempreendedor que precisau de crédito;

O prazo máximo da operação subirá de 72 para 96 ​​meses, diluindo o peso do pagamento da dívida na caixa do microempreendedor;

A tolerância no atraso para concessão de novos créditos subirá de 14 para 90 dias;

Aumento do valor total do crédito de 30% do faturamento (com teto de R$ 150 mil) para 50% (com novo teto em R$ 180 mil). É mais crédito barato para a empresa se financiar;

Para empresas lideradas por mulheres, o limite sobe de 50% do faturamento para 60% (com novo teto em R$ 180 mil).

Proname/FGO

Para atender micro e pequenas empresas, ou seja, empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões por ano, as alterações no Pronampe serão:

A carência sairá de até 12 para até 24 meses, dando alívio a quem precisau de crédito;

O prazo máximo da operação subirá de 72 para 96 ​​meses, diluindo o peso do pagamento da dívida na caixa da empresa;

A tolerância no atraso para concessão de novos créditos subirá de 14 para 90 dias;

Aumento do valor total do crédito de R$ 250 mil para R$ 500 mil. É mais crédito barato para a empresa se financiar.

Desenrola Rural

Além de famílias, estudantes e empresas, os agricultores familiares, também terão a chance de sair das dívidas. O Desenvolvimento Rural fará a regularização de dívidas e a reinserção produtiva de agricultores familiares, facilitando o acesso ao crédito rural.

Como funciona?

Amplia o prazo do Desenvolvimento Rural, permitindo que mais agricultores familiares renegociem e liquidem suas dívidas antigas.

Esses agricultores são sobretudo de baixa renda. Esses agricultores são, sobretudo, de baixa renda.

O Desenvolvimento Rural já beneficiou cerca de 507 mil produtores e, com a reabertura do prazo até 20/12/2026, pode alcançar mais 800 mil agricultores familiares, totalizando 1,3 milhão de pessoas.

Primeira versão

Em 2023, a primeira versão do programa beneficiou mais de 15 milhões de pessoas, com a negociação de R$ 53 bilhões em dívidas de diferentes setores. A política ajudou a reduzir o endividamento.

Há um diagnóstico no governo de que os bons números da economia e do mercado de trabalho não estão refletindo em ganho de popularidade para já que parte relevante do orçamento vem sendo usada para pagar dívidas. Segundo o Banco Central, quase 30% (29,7%) da renda dos brasileiros está sendo consumida pelo pagamento de dívidas, o maior patamar da série histórica, iniciada em 2005.