Finanças
BRB firma acordo com Quadra Capital para venda de R$ 15 bilhões em ativos do Master
Banco estatal de Brasília tentava há meses negociar carteira recebida do banco de Daniel Vorcaro
O Banco Regional de Brasília (BRB) anunciou, na noite desta segunda-feira, um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para a venda de parte dos ativos que pertenciam ao Banco Master. Segundo o banco estatal, a operação tem valor de referência de R$ 15 bilhões.
O acordo prevê uma primeira parcela à vista entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões. O valor remanescente, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será negociado por meio de cotas de um fundo de investimento a ser estruturado para gerir e monetizar os ativos.
Em comunicado ao mercado, o BRB informou que o memorando com a Quadra Capital visa à estruturação de um fundo de investimento destinado à transferência dos ativos recebidos do Banco Master.
"O BRB, por meio da operação, busca alienar os referidos ativos com o objetivo de fortalecer sua estrutura de capital e liquidez, além de aprimorar a gestão do portfólio. A transação representa uma etapa relevante no processo de readequação da companhia, com expectativa de efeitos positivos sobre a liquidez, a gestão de ativos e a racionalização patrimonial", destacou o banco.
O BRB tentava há meses vender esses ativos, recebidos do Master como compensação por uma carteira anterior, considerada fraudulenta, de R$ 12,2 bilhões. A instituição afirma que os ativos foram registrados com deságio, tendo valor de face em torno de R$ 21,9 bilhões. Deste total, cerca de R$ 6,6 bilhões são considerados de maior risco, restando aproximadamente R$ 15 bilhões em ativos de melhor qualidade — justamente o montante de interesse dos investidores.
O BRB está há nove meses sem publicar demonstrações financeiras e, desde 31 de março, paga multa diária de R$ 30 mil por não ter divulgado o balanço de 2025. Em meio à crise e à dificuldade de encontrar compradores para os ativos herdados do Master, o banco chegou a vender carteiras de crédito consideradas saudáveis, levantando preocupações sobre sua sustentabilidade a longo prazo.
Em alguns momentos críticos, o BRB chegou a beirar a insolvência. A última situação ocorreu em 10 de abril, quando, para obter liquidez, vendeu um lote de carteiras de crédito avaliadas positivamente pelo mercado.
Segundo informações de bastidores, o BRB já vendeu cerca de R$ 10 bilhões em carteiras de crédito a concorrentes comerciais, sempre com descontos. Ainda restariam cerca de R$ 60 bilhões em empréstimos, embora parte desse montante não desperte interesse imediato do mercado.
A negociação com a Quadra Capital já estava sob análise do Banco Central e recebeu aprovação do conselho de administração do BRB nesta segunda-feira.
Para solucionar o problema de capital, o BRB busca socorro financeiro. Após prejuízos que já se aproximam de R$ 60 bilhões em operações com instituições do grupo Master, o fundo envolvido na operação se mostrou mais cauteloso, condicionando o avanço do negócio à participação de outros bancos.
O andamento das negociações com instituições financeiras depende de condições exigidas ao BRB, especialmente quanto às garantias. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) também solicitou mais documentos e informações ao banco, que ainda não apresentou o balanço no prazo e não definiu data para divulgar o resultado que mostrará o real impacto das operações com o Master.
A diretoria do BRB pretende aprovar um aumento de capital na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas, marcada para 22 de abril. O plano é divulgar o balanço consolidado de 2025 em 29 de abril.
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