Finanças
Ex-presidente do INSS foi demitido por não enfrentar fila de espera, afirma ministro da Previdência
Lista de espera no Instituto chegou a 2,7 milhões em março e Planalto teme impacto disso nas eleições
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou que o governo já superou a crise dos descontos indevidos em aposentadorias e que o foco agora deve ser a redução da fila de benefícios do INSS. Segundo ele, esse foi o principal motivo para a troca no comando do instituto.
— Não teve uma gota d'água (para a demissão), teve só uma mudança de momento. Ele fez um bom trabalho, melhorou fluxos e processos no período atribulado. Só que ele não atacou o problema central da fila. A fila estava escalando, estava aumentando, sem controle — declarou o ministro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu nesta segunda-feira o então presidente do INSS, que estava no cargo há 11 meses. Ele havia assumido o posto no ano passado, após investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mas foi desgastado pelo crescimento da fila de requerimentos, que alcançou 2,7 milhões em março. O Palácio do Planalto teme que a situação tenha impacto negativo nas eleições deste ano.
No lugar do ex-presidente, assume Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do INSS desde 2003, onde ingressou como Analista do Seguro Social. Ela atuava como secretária executiva adjunta do Ministério da Previdência Social e foi presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos.
Queiroz ressaltou que a mudança ocorre em meio à troca de ministros no governo para a disputa eleitoral e informou que permanece à frente da pasta a pedido do presidente Lula.
— Superada a crise dos descontos associativos, o INSS entra em um novo momento, focado na gestão. A autarquia se debruça agora, em uma nova fase na análise de processos para a concessão de benefícios — afirmou o ministro.
Waller assumiu o INSS em abril de 2023, após a deflagração da Operação Sem Desconto da Polícia Federal, que revelou fraudes contra aposentados.
O ministro destacou ainda que a escolha de uma servidora de carreira para a presidência do INSS atende a um antigo pleito dos funcionários do órgão, além de ressaltar o avanço na representatividade feminina:
— Com a chegada de Ana Cristina, atendemos um anseio dos servidores do INSS de reconhecer e colocar, no comando da autarquia, uma profissional de carreira do Instituto. Mais uma mulher em um posto de comando dentro do nosso governo.
Waller assumiu o cargo em meio à crise provocada pela Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrada no fim de abril para combater descontos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. O então chefe do órgão, Alessandro Stefanutto, foi afastado por decisão judicial e depois demitido pelo presidente Lula. Poucos dias depois, o então ministro da Previdência, Carlos Lupi, também pediu demissão.
A operação foi autorizada pela Justiça do Distrito Federal para combater um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios do INSS. As investigações apontam que o valor descontado chega a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, mas ainda será apurado qual porcentagem foi feita de forma ilegal.
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