Finanças
Banco Central já decretou liquidação de 8 instituições financeiras ligadas ao Master
Processos começaram em novembro do ano passado com liquidação do Banco Master
O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira a liquidação de mais duas instituições financeiras que integravam o grupo do Banco Master. Com essa decisão, a autoridade monetária já soma oito empresas do sistema financeiro ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro sob liquidação.
O Banco Pleno e a Pleno DTVM foram vendidos no segundo semestre do ano passado. Lima deixou a sociedade no Master no mesmo período e assumiu o controle do banco Voiter, antigo integrante do grupo. Após a aquisição, mudou o nome do banco para Pleno e realizou dois aportes de capital, totalizando R$ 160 milhões.
Procurada nesta quarta-feira, a defesa de Lima preferiu não se manifestar.
O Banco Pleno herdou cerca de R$ 6 bilhões em CDBs do Master e buscava estruturar uma carteira de crédito. No entanto, a instituição não conseguiu captar recursos suficientes nem vender ativos em volume necessário.
Com essas dificuldades, o banco passou a enfrentar problemas para honrar compromissos e pagar os CDBs originados do Master, além de dívidas referentes à carteira de crédito formada.
Desde novembro de 2025, o Banco Central vem desmontando, em etapas, o conglomerado liderado por Daniel Vorcaro, após identificar insolvência financeira, suspeitas de fraudes contábeis e risco de contágio para outras instituições.
Outras liquidações
Na primeira fase, em novembro de 2025, foram liquidadas as principais empresas do grupo: Banco Master S/A, Banco Master de Investimento, Banco Letsbank (atual BlueBank) e a corretora do conglomerado. Em janeiro de 2026, o BC ampliou a intervenção para a CBSF DTVM (ex-Reag Investimentos), apontada como parte do mecanismo utilizado para ocultar prejuízos. Em 21 de janeiro, foi decretada também a liquidação do Will Bank, braço digital do grupo, após o fracasso na tentativa de venda e o bloqueio das operações com cartões da Mastercard.
Com essas medidas, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para ressarcir investidores em produtos cobertos, como CDBs, LCIs e LCAs, até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, respeitando o teto global de R$ 1 milhão. O caso Master resultou no maior acionamento da história do fundo, com cerca de R$ 41 bilhões reservados para pagamentos.
Grupo em recuperação judicial
Em janeiro, a Fictor, que tentou adquirir o Banco Master em novembro passado, acumulou dívidas que chegaram a R$ 4,2 bilhões.
A Fictor apresentou proposta para comprar o Banco Master e aportar R$ 3 bilhões na instituição do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a empresa, a proposta gerou um movimento de resgates dos investimentos de seus clientes, levando a uma crise de liquidez que culminou no pedido de recuperação judicial.
Em janeiro, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 150 milhões em bens da Fictor, valor referente à garantia de um contrato de operações de cartão de crédito que não estava sendo cumprido. Outros R$ 500 mil foram bloqueados em fevereiro, relativos a um contrato oferecido pela Fictor para investimentos em ativos do agronegócio.
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