Finanças
‘Não acredito que a humanidade vai ficar parada’, diz Haddad sobre ascensão da extrema-direita
Durante evento em São Paulo, ministro da Fazenda afirma que seu novo livro traz visão mais otimista diante dos desafios atuais
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou acreditar que a humanidade não permanecerá inerte diante da ascensão da extrema-direita. A declaração foi feita durante o lançamento de seu livro “Capitalismo superindustrial – caminhos diversos, destino comum”, realizado na manhã deste sábado (7), em São Paulo.
Recebido sob aplausos, Haddad destacou que sua nova obra é mais otimista do que o livro anterior, escrito nos anos 1990, período em que previa a crise do neoliberalismo, a ausência de respostas da esquerda e o avanço da extrema-direita.
— Por que esse livro é mais otimista? Porque a extrema-direita já ascendeu. E eu não acredito que a humanidade vai ficar parada. Então, é um otimismo mitigado por uma esperança de que a gente se mobilize contra a extrema-direita e faça alguma coisa de útil das nossas vidas — afirmou o ministro.
Haddad explicou que sua motivação para ingressar na política é “encontrar caminhos” para uma sociedade melhor, e não buscar aprovação geral. Diante de uma plateia lotada, ele brincou que não seria recomendável a um ministro escrever um livro que questiona os fundamentos do capitalismo, mas ressaltou que não poderia deixar de publicar a obra, dado seu compromisso político e pessoal.
— Quanto mais poder se acumula, mais distante você fica desse tipo de assunto. Você pode notar, é natural que você busque proteção. É tanta porrada: da esquerda, direita, de cima, debaixo e de dentro. Então não é recomendável. Mas não é recomendável para uma pessoa que não entrou para a política com os meus compromissos. Então eu não conseguiria sair deste cargo sem publicar esse livro, porque a razão que se entra na política é tentar encontrar caminhos. Não é sair bem com todo mundo. Não dá. Ainda mais em um país como o Brasil — completou Haddad.
O evento de lançamento ocorreu no Sesc 14 Bis, na capital paulista, e contou com um bate-papo entre Haddad e o cientista político Celso Rocha de Barros, mediado pela historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz.
O livro
A obra revisita os estudos de mestrado e doutorado de Haddad, realizados nas décadas de 1980 e 1990, para atualizar reflexões sobre a acumulação primitiva de capital na periferia do capitalismo. O livro é publicado pela editora Zahar, selo da Companhia das Letras voltado às ciências humanas e sociais.
Professor do Departamento de Ciência Política da FFLCH-USP, Haddad confronta a ideia de capitalismo superindustrial com correntes contemporâneas do pensamento progressista, como as teorias do capitalismo cognitivo e do tecnofeudalismo.
O argumento central do livro reside nos diferentes caminhos escolhidos por cada nação para alcançar o capitalismo moderno, além dos desafios impostos pela ascensão da China como potência global. O autor aborda temas como a acumulação primitiva de capital na periferia, a incorporação do conhecimento como fator de produção e as novas configurações de classe.
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