Finanças
Haddad defende juros de um dígito e planejamento para medidas fiscais
Em Salvador, ministro afirmou que juros altos afetam a economia e destacou necessidade de planejamento para novas políticas
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira que o Brasil precisa consolidar uma trajetória de queda da taxa básica de juros até alcançar um patamar de um dígito, evitando o retorno a níveis elevados no futuro. A declaração foi feita durante reunião do Diretório Nacional do PT, em Salvador.
Haddad avaliou que o atual nível de juros permanece restritivo e pode impactar tanto a atividade econômica quanto a própria política fiscal, caso provoque desaceleração excessiva da economia.
— Eu sei que o Banco Central é autônomo. (Gabriel) Galípolo é um companheiro que foi apoiado, trabalhou comigo, chegou lá pela mão do presidente. Eu tenho dito que acho que a taxa de juros está restritiva em um patamar que pode comprometer, inclusive, o trabalho fiscal, porque, a partir do momento em que a economia começar a desacelerar demais, haverá um rebatimento na política fiscal — afirmou.
O ministro destacou o último comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), que sinalizou a possibilidade de uma trajetória de cortes mais consistentes. Segundo Haddad, ele defende essa estratégia desde o ano passado.
— Eu tenho dito desde o ano passado que já era hora de começar a pensar numa trajetória consistente para não voltar mais. Temos que buscar juros de um dígito e nunca mais pensar em juros de dois dígitos no Brasil — declarou.
Haddad afirmou que, mesmo com restrições, a economia brasileira tem condições de crescer e sustentar uma política de juros mais baixos.
— Nós podemos crescer porque esse país aqui é um milagre, né? E temos alguns expedientes para garantir um crescimento mínimo, mesmo com essa taxa — disse.
Escala 6x1 e tarifa zero
No mesmo evento, o ministro comentou propostas defendidas por setores do PT, como o fim da escala 6x1 e a adoção da tarifa zero no transporte público. Segundo Haddad, as duas medidas têm impactos distintos do ponto de vista fiscal.
— A escala 6x1 não tem impacto fiscal. Mas, por exemplo, a tarifa zero tem. Então, é preciso desenhar um programa que tenha consistência — afirmou.
O ministro ressaltou que qualquer iniciativa, principalmente em relação à tarifa zero, precisa ter fonte de financiamento definida para evitar recuos futuros.
— Porque, se não tiver consistência, vai ter que voltar atrás. Agora, se for uma coisa consistente, sustentável, como vamos financiar o transporte público se não for pela tarifa? Tem jeito? Tem. Qual? Precisamos desenhar isso — declarou.
Haddad acrescentou que o governo estuda diferentes cenários para subsidiar uma eventual proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o ministro, a viabilidade de políticas públicas nessa área depende de planejamento e soluções técnicas.
— Estamos trabalhando em cenários que permitirão ao presidente incluir ou não essa proposta no seu plano de governo. Mas, se ele o fizer, poderá explicar na televisão como irá implementar — concluiu.
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