Finanças
Haddad critica política fiscal de 2022 e fala em 'estupro' das contas públicas
Ministro comentou situação fiscal herdada durante reunião do Diretório Nacional do PT, em Salvador
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira que a transição entre os anos de 2022 e 2023 foi marcada por um “estupro” das contas públicas, referindo-se às medidas adotadas no último ano do governo Jair Bolsonaro.
A declaração foi feita durante reunião do Diretório Nacional do PT, em Salvador. Haddad destacou que falava como militante do partido, já que estava oficialmente de férias nesta sexta-feira.
— O que aconteceu de 2022 para 2023 é uma espécie de estupro das contas públicas, uma coisa alucinada que aconteceu. Qual é a narrativa da oposição? 'Nós entregamos em 2022 um superávit primário, e o governo Lula inaugurou uma fase de enormes déficits primários que estão acabando com as finanças do País'. Essa é a narrativa — afirmou o ministro.
Segundo Haddad, os números divulgados ao fim de 2022 não refletiam a real condição das finanças públicas, pois foram influenciados por decisões tomadas no contexto eleitoral. Ele citou a aprovação de medidas que permitiram adiar despesas e alterar regras fiscais, o que, em sua avaliação, criou uma aparência de equilíbrio que não se sustentava no orçamento do ano seguinte.
O ministro ainda ressaltou que a forma como essas iniciativas foram implementadas dificulta explicar à população o que realmente ocorreu na transição de governo.
— É muito difícil explicar para as pessoas o que aconteceu em 2022 e o que aconteceu em 2023, porque a forma como isso aconteceu foi a mais ardilosa já vista na história do Brasil — declarou.
Haddad também vinculou o debate sobre as contas públicas à disputa política e à comunicação do governo. De acordo com ele, há resistência em aceitar dados oficiais sobre a situação fiscal, o que contribui para versões distorcidas sobre a responsabilidade pelos déficits.
O ministro participou do encontro do PT em Salvador como debatedor em atividades do partido, após solicitar licença de um dia do Ministério da Fazenda. O afastamento ocorre no mesmo mês em que ele deixará o comando da pasta.
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