Finanças
PF avança em novas frentes de investigação sobre o Banco Master e mira aportes bilionários de fundos de estados e municípios
Operação no Amapá se soma a ações no Rio e a apurações em outros estados e municípios
A Polícia Federal realizou, nesta sexta-feira (XX/XX), uma operação no Amapá para apurar suspeitas de irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado (RPPS/AP).
A investigação concentra-se na aprovação e execução de investimentos realizados pela Amapá Previdência (Amprev) em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Batizada de Operação Zona Cinzenta, a ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, autorizados pela 4ª Vara da Justiça Federal. Entre os alvos estão o diretor da Amprev, Jolcildo Lemos, e integrantes do comitê de investimentos da autarquia.
De acordo com apuração do jornal O Globo, os investigados foram responsáveis pelos votos favoráveis à aplicação em Letras Financeiras do Banco Master em três reuniões realizadas em julho de 2024. O fundo de pensão do estado aplicou R$ 400 milhões nesses papéis.
Esse investimento é o segundo maior entre 18 entidades estaduais e municipais de previdência social que aplicaram recursos no Banco Master, ficando atrás apenas do fundo previdenciário do Estado do Rio de Janeiro, que aportou cerca de R$ 970 milhões na instituição. Ao todo, esses fundos destinaram R$ 1,876 bilhão para Letras Financeiras do banco entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.
No Rio de Janeiro, a Polícia Federal deflagrou, em 23 de janeiro, a Operação Barco de Papel, que investiga diretores do fundo previdenciário estadual no contexto das aplicações no Banco Master. As apurações abrangem nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, totalizando cerca de R$ 970 milhões em Letras Financeiras da instituição. Os valores aplicados são parte dos recursos destinados ao pagamento de aposentadorias de servidores públicos admitidos na última década.
As investigações sobre o Banco Master alcançam ainda outros estados e municípios. Órgãos de pelo menos seis estados — Alagoas, Amapá, Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo — instauraram inquéritos para apurar aportes de entidades públicas previdenciárias na instituição financeira. No total, 18 entidades de regimes próprios de previdência, sendo três estaduais e 15 municipais, investiram em Letras Financeiras do banco, títulos que não possuem garantia do Fundo Garantidor de Créditos.
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