Finanças

Bancos buscam minimizar custos na recapitalização do Fundo Garantidor de Crédito, afirma presidente do Bradesco

Marcelo Noronha diz que definições sobre o FGC devem ocorrer até meados de fevereiro

Agência O Globo - 06/02/2026
Bancos buscam minimizar custos na recapitalização do Fundo Garantidor de Crédito, afirma presidente do Bradesco
Bancos buscam minimizar custos na recapitalização do Fundo Garantidor de Crédito, afirma presidente do Bradesco - Foto: Reprodução

O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que as discussões a respeito da recapitalização do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estão em andamento e que, ainda em fevereiro, devem ser tomadas decisões sobre o tema. Segundo ele, o objetivo principal é minimizar os custos dessa operação. O FGC está atualmente ressarcindo clientes do banco Master e aguarda a lista de investidores do Will Bank para iniciar os pagamentos. Ambas as instituições, pertencentes ao grupo Master, foram liquidadas pelo Banco Central.

Definições em breve

— Apesar de termos iniciado algumas conversas, ainda é cedo para detalhar. Acredito que no meio de fevereiro teremos definições sobre isso. Obviamente, a expectativa é conseguir minimizar os custos para o sistema — afirmou Noronha, durante apresentação dos resultados do Bradesco referentes a 2025.

Existe a possibilidade de os bancos terem que antecipar as contribuições ao FGC dos próximos cinco anos. Com a liquidação do Master e de outras instituições do grupo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, como o Will Bank, cerca de R$ 50 bilhões serão utilizados do caixa do fundo para ressarcir clientes — quase metade dos R$ 122 bilhões disponíveis. Caso isso se confirme, Noronha destacou que não haverá impacto direto no resultado dos bancos.

— Isso não afeta o resultado. Trata-se de um adiantamento das contribuições que seriam feitas ao longo do tempo. O custo é de carregamento, ou seja, perde-se o "float" (juros sobre esse valor) — explicou o executivo.

Liquidação do Master

Noronha preferiu não comentar sobre a liquidação do Master.

— Eu evito comentar, para não gerar especulação. Existem aspectos investigativos, mas estamos distantes disso. Esse é um papel do Banco Central e da Justiça — afirmou.

Bradesco registra crescimento de 26% no lucro em 2025

Com um crescimento de 11% na carteira de crédito, acima do registrado por outros grandes bancos, o Bradesco alcançou lucro líquido de R$ 24,7 bilhões em 2025, um aumento de 26,1% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, o banco registrou lucro de R$ 6,5 bilhões, alta de 5% em relação ao trimestre anterior e de 20,6% na comparação anual.

Marcelo Noronha destacou que o desempenho da carteira de crédito superou as expectativas em 2025 e que, para 2026, o Bradesco manterá um apetite ao risco moderado, diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador e incerto. Ele citou as eleições e a situação fiscal do país como fatores de incerteza no ambiente macroeconômico.

Perspectivas para o país

— Vejo o Brasil se movimentando. Dependendo do que ocorrer no ambiente macroeconômico no segundo semestre, podemos ter um cenário positivo, com inflação, juros e desemprego controlados. O mercado tende a ficar mais volátil devido às eleições. Reconhecemos o desafio estrutural da dívida pública, mas estamos otimistas — afirmou Noronha, destacando que investidores estrangeiros seguem atentos ao Brasil.