Finanças

Auditoria aponta indícios de aporte de R$ 1 bilhão no BRB por ex-sócios do Master e fundador da Reag

Resultado de auditoria foi encaminhado à Polícia Federal (PF) e ao Banco Central (BC)

Agência O Globo - 05/02/2026
Auditoria aponta indícios de aporte de R$ 1 bilhão no BRB por ex-sócios do Master e fundador da Reag
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma auditoria identificou indícios de que nomes ligados ao Banco Master atuaram como investidores finais de fundos que aportaram R$ 1 bilhão no Banco Regional de Brasília (BRB). Conforme apuração publicada por O GLOBO, a suspeita é que a capitalização buscava ampliar a capacidade do banco estatal para realizar negócios com a instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.

Além do proprietário do Master, os aportes envolveram Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro, e João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, segundo fontes com acesso à investigação independente contratada pelo próprio BRB.

Procurado, Quadrado negou, por meio de sua defesa, que a operação tivesse como objetivo inflar ou elevar artificialmente o capital do BRB. A assessoria de Mansur informou que não comentaria o caso, e Vorcaro não se manifestou.

O resultado da auditoria foi encaminhado à Polícia Federal (PF) e ao Banco Central (BC) na semana passada, e ao Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no fim do ano passado e é alvo de investigação por suspeita de fraude ao sistema financeiro.

A apuração identificou dois aportes, de R$ 250 milhões e R$ 750 milhões. A capitalização de um banco pode alavancar a capacidade de crédito da instituição e, neste caso, também poderia favorecer o BRB em eventual aquisição do Master — negócio posteriormente vetado pelo Banco Central.

Como consequência da auditoria realizada pelo escritório Machado Meyer com apoio da Kroll, o BRB atualizou informações públicas sobre sua composição acionária na última terça-feira. O banco, controlado pelo governo do Distrito Federal, informou que Mansur detém 4,553% das ações.

Chamou a atenção dos auditores o fato de a capitalização, inicialmente prevista para ocorrer via oferta de ações (“follow-on”), ter sido realizada por subscrição. Nesse modelo, há preferência dos acionistas para adquirir novas ações e manter sua participação, diferentemente do follow-on, que é aberto ao mercado.

A investigação apura agora se esses fundos se tornaram acionistas antes do aumento de capital para participar da subscrição privada. Os auditores também investigam se a antiga diretoria do BRB tinha conhecimento dos beneficiários finais desses fundos.

Em comunicado ao mercado divulgado na quarta-feira, o BRB destacou que o relatório da auditoria é preliminar, “com escopo delimitado a aspectos específicos da investigação independente, no qual foram identificados fatos que demandavam análise pelas autoridades competentes, com vistas à avaliação de eventual existência de atos ilícitos”.

O BRB acrescentou que encaminhou as conclusões às autoridades para ciência e adoção das providências necessárias.